Movidos pela fé e abençoados por chuva, devotos do Senhor do Bonfim fazem romaria em Icó

Legenda: Do alto do morro, o frei carmelita Cassiano Rodrigues ergueu o santíssimo sacramento e abençoou toda a cidade  - Foto: Honório Barbosa

Os devotos fizeram caminhada até o horto, onde será instalada uma imagem gigante do Senhor do Bonfim.

Dois anos após ser suspensa por causa da pandemia da Covid-19, a romaria ao Senhor do Bonfim foi retomada na madrugada desta segunda-feira (15), em Icó, no Centro-Sul cearense. O evento reuniu cerca de dois mil devotos que foram motivados pela fé a caminhar, rezar e cantar a partir do santuário dedicado a Jesus Cristo, no centro histórico, até o morro, onde será urbanizado e instalada uma imagem do santo, num percurso de 7km.

O dia já estava claro quando foi celebrada a missa. Do alto do morro, o frei carmelita Cassiano Rodrigues ergueu o santíssimo sacramento e abençoou toda a cidade.

Ao fim da celebração, uma chuva fina caiu sobre os devotos que a consideraram uma ‘bênção sobre o povo de Deus’. Os católicos locais apontam a romaria, que começou a ser realizada há 20 anos, como uma forma de preparação para uma das maiores festas religiosas do interior, celebrada há 271 anos, no período de 22 de dezembro a 6 de janeiro.

Os devotos percorreram ruas, avenidas e um trecho da CE-282 até o horto, onde será instalada uma imagem gigante do Senhor do Bonfim (Jesus Crucificado). A caminhada durou mais de três horas.

Para o padre e reitor do santuário do Senhor do Bonfim, Cassiano Rodrigues, a retomada da romaria foi marcada por muita alegria e esperança mediante a possibilidade de retorno da festa com a presença dos fiéis. “Voltamos com esperança, firmeza, com o povo, emocionado”, pontuou. “Homenageamos vítimas da Covid-19, rezamos, meditamos os passos de Jesus e pedimos proteção”.

Legenda: Romaria do Senhor do Bonfim - Foto: Honório Barbosa

Os devotos começaram a caminhada às 3 horas da madrugada a partir do santuário do Senhor do Bonfim que fica no Largo do Théberge, centro histórico de Icó, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 

“Estou emocionando, vendo a devoção do povo muito religioso neste momento de fé, sem cansaço, partilhando o lanche que cada um trouxe”, observou o jovem universitário, Carlos Custódio.

O administrador da diocese de Iguatu, pároco João Batista Moreira, frisou que, a cada ano, “Icó dá demonstração de forte religiosidade, renovação entre os jovens e manutenção do espírito de devoção entre os idosos, entre os romeiros, numa caminhada sempre crescente”.

Foto: Honório Barbosa

Maria de Brito é dona de casa, aposentada, e, pela primeira vez, participou da romaria. “Adorei e quero vir mais vezes”, disse. “Foi cansativa, caminhar subindo esse morro, mas valeu a pena”. Ela contou que veio por convite de uma irmã que participa da caminhada desde o seu início.

Nos primeiros anos, a romaria era celebrada no centro histórico, com percurso entre as igrejas bicentenárias. Uma das devotas que ainda não deixou de participar de nenhum desse eventos é a aposentada, Nilva Mota. “Estou sempre presente porque para mim é uma alegria, uma bênção”, disse. “Já fiz promessas ao Senhor do Bonfim e alcancei porque tenho muita fé, no Deus vivo que ressuscitou”.

Para o memorialista, Getúlio Oliveira, “a instalação da imagem gigante de Jesus Crucificado, no horto, vai atrair mais romeiros e movimentar a religiosidade popular e a economia local, colocando Icó como centro de romaria no Ceará”.

Escrito por Honório Barbosa/Diário do Nordeste

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