"Kaririavis mater": nova espécie de pássaro cearense dá pistas sobre origem das aves

Paleoarte reconstruindo a "Kaririavis mater"(foto: Pepi/Divulgação)

O fóssil da "Kaririavis mater" coloca o Ceará como uma das possíveis regiões de origem das aves modernas, antes limitada à Ásia

A descoberta de uma nova espécie de ave fóssil caririense pode colocar o Ceará como região candidata da origem das aves modernas. Uma pesquisa publicada nessa quinta-feira, 11, descreveu a espécie Kaririavis mater, uma ave do período Cretáceo (há 115 milhões de anos, quando ainda existiam dinossauros e pterossauros) encontrada na Mina da Pedra Branca, em Nova Olinda.

O fóssil representa a ave mais antiga da América do Sul, fato inédito na região. Até então, aves dessa época eram escavadas na China e na Mongólia, razão pela qual acreditava-se que as aves tinham se originado no continente asiático. Mas agora o pedaço de um pé direito de pássaro com garras pode mudar essa compreensão da paleontologia.

"Examinando a estrutura do pé, ela tem semelhança grande com as emas e os avestruzes", explica o coordenador da pesquisa, José Xavier, também cientista chefe da Saúde do Estado do Ceará. Por essa semelhança, os paleontólogos inferem que a Kaririavis provavelmente não tinha o hábito de voar. No entanto, diferente dos avestruzes — que correm como velocistas —, o pássaro pré-histórico também não devia ser muito de corridas.

Fóssil da Kaririavis mater. (Foto: Divulgação)

Isso porque, para correr, os avestruzes têm unhas em vez de garras. No entanto, a Kaririavis tem uma garra comprida no segundo dedo do pé, o que atrapalharia muito em corridas. "Ao que parece, ela é uma ave primitiva generalista. Não é especializada para ter várias garras, mas também não tem apenas unhas", define Xavier.  

O fóssil foi escavado há seis anos e está na coleção do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde deve continuar para pesquisa e, talvez, para exposição. O fóssil ainda passará por outros estudos, como a análise das penas (uma possibilidade é tentar descobrir as cores reais da penugem) e da própria geologia da rocha na qual o material foi encontrado.

Autor Catalina Leite/O Povo Online

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