Canal de dançarina de Juazeiro do Norte é invadido por hackers fingindo ser empresa em busca de parceria

Foto: Reprodução/Instagram

Uma professora de dança e youtuber de Juazeiro do Norte denuncia golpe enviado por hackers que se passaram como uma empresa de roupas em busca de parceria. O canal no YouTube de Carol Rocha, de 31 anos, foi banido após ter sido invadido através de um link enviado por supostos agentes da empresa à proprietária. Ela conta que o primeiro contato com os invasores aconteceu há cerca de 10 dias, quando ela foi convidada por e-mail a gravar material promocional para uma campanha que seria lançada em breve e estaria associada à dança, tema do canal de Carol.

No convite, o remetente afirmou que a empresa realizaria a campanha para dar início à sua atuação no Brasil. Carol visitou o site da empresa indicada e confiou na situação ao ler depoimentos de consumidores. Após aceitar o convite, a youtuber foi contatada por WhatsApp para negociar os trâmites da parceria proposta. Ela teria que provar roupas, decidir a narrativa de seu vídeo para a campanha e receber 50% do pagamento de antemão.

Para iniciar a parceria, Carol recebeu três links. O primeiro continha um documento com palavras que ela precisaria evitar durante a gravação. No segundo, havia sugestões de materiais possíveis de serem incorporados ao vídeo. Já o terceiro link não levou Carol a lugar nenhum. Ela informou à pessoa com quem conversava sobre o erro, mas já era tarde. Segundo ela, ao clicar no link, os invasores tiveram acesso a seu computador pessoal. Segundo ela, o arquivo tinha extensão SCR, utilizada para protetores de tela do sistema operacional Windows e, ainda, para carregar códigos maliciosos.

A conta da Google de Carol tinha verificação em duas etapas, método de reforço da segurança digital, mas foi driblada. A conta de um cliente do marido de Carol, que estava logada no computador, também foi invadida. Tendo o controle da conta, os invasores publicaram vídeos de teor contrário às políticas de conteúdo do YouTube. Usuários que violam essas regras recebem primeiramente um aviso e, caso haja reincidência, uma punição. A última etapa é o banimento da plataforma. No caso de Carol, dois vídeos foram publicados pelos invasores, seguidos de uma transmissão ao vivo em que dois homens discutiam em língua estrangeira para mais de mil espectadores.

Ela conseguiu interromper a transmissão após retomar acesso à sua conta por meio de um e-mail de recuperação. No mesmo instante, recebeu uma mensagem no YouTube informando-a do banimento e da possibilidade de recurso. A professora entrou em contato com o Google, informando os acontecimentos anteriores, e deveria ter recebido um retorno ontem, quarta-feira, 16. “Estou pedindo a Deus para que eles possam entender e devolver a conta”, desabafa Carol. Nova solicitação será aberta por ela, que também irá procurar uma unidade policial para registro de Boletim de Ocorrência (BO).

Seu maior medo é não ter mais acesso à conta em questão, que estava com 275 mil inscritos antes de ser banida. Carol já foi vítima de hackers em 2019, quando seu perfil no Instagram foi invadido e precisou ser excluído da plataforma. “É muito triste, é muito doloroso. Fiquei sem chão, super mal”, conta. Seu computador pessoal precisou ser enviado a uma assistência técnica para limpeza interna dos rastros dos invasores.

A relação de Carol com as plataformas digitais, depois do ocorrido, é de medo. Desde o convite da suposta empresa internacional, ela tem recebido e-mails com propostas semelhantes e igualmente suspeitas. A professora conta que tem avisado a seus colegas de atuação sobre essas mensagens e sobre cuidados digitais. “Fica difícil a gente confiar”, pondera.

Em cenários parecidos ao ocorrido com Carol, o melhor a se fazer é desconfiar. É o que orienta o especialista Daniel Maia, advogado criminalista e professor de Direito Penal da Universidade Federal do Ceará (UFC). Empresas, incluindo bancos, geralmente têm políticas de não-envio de links por métodos de contato informais, acrescenta ele. “Na dúvida, é melhor não se arriscar”.

Caso haja interesse por propostas semelhantes à enviada para a youtuber, Daniel avisa que a veracidade das informações deve ser checada diretamente com os remetentes, por telefone ou meios oficiais. “Tem que saber quem está enviando, ter certeza do remetente, falar com a empresa”, alerta. Para quem acabar sendo vítima de golpes, a primeira reação, segundo o professor, é procurar uma delegacia especializada em crimes virtuais para registro de BO.

Empoderamento

Carol é professora de dança e tem experiência com ballet clássico, jazz e stiletto dance. Esta última prática envolve coreografias sustentadas por saltos altos e é o principal foco do canal da youtuber que foi banido. Ele foi criado há cerca de três anos, com a proposta de ajudar pessoas a soltar o corpo em sequências de dança. Carol percebeu que outros canais ensinavam coreografias, mas não como desbloquear os movimentos do corpo, e foi através dessa proposta que conseguiu suas primeiras milhares de visualizações.

Para ela, seu canal no YouTube também é refúgio. A dança a ajudou a superar questões psicológicas, como depressão, ansiedade e síndrome do pânico. Ela almejava propiciar o mesmo sentido de ajuda e empoderamento, por parte da dança, ao seu público. “Era um canal onde eu me realizava, mostrava também minhas experiências e podia compartilhar com toda a comunidade que tava lá e ver esse crescimento deles”, finaliza.

Fonte: O Povo

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