60% dos bebês hospitalizados se recuperaram da Covid-19 no Ceará

Legenda: Pétala Régis de Oliveira Vera passou 13 dias dos seus 2 meses de vida internada devido a complicações no quadro de Covid-19, mas se recuperou e não há sinais de sequelas - Foto: Arquivo pessoal

Dados mostram que 1.392 crianças tiveram casos confirmados de Covid-19 no Ceará de janeiro a abril de 2021

Dos 47 bebês hospitalizados com Covid-19 no Ceará em 2021, 28 superaram a doença e 19 vieram a óbito. Apesar do número de internações de crianças com menos de um ano acometidas pelo vírus ser menor do que o de adultos, os pacientes nesta faixa etária têm sido mais afetados na segunda onda da pandemia.

As hospitalizações dos primeiros três meses de 2021 já correspondem a 29,7% das 158 registradas em 2020. Os dados são do boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), lançado em 8 de abril. 

Entretanto, ainda de acordo com o documento, o número de mortes nessa faixa etária (menos de um ano) de janeiro até 6 de abril de 2021 já corresponde a 79% da quantidade registrada até dezembro de 2020 pela secretaria (24 óbitos).

Em relação aos casos confirmados da doença, 2021 já conta com 1.392 bebês infectados. Isso equivale a 63% dos casos positivos do primeiro ano de pandemia no Ceará, que somaram 2.208.

“Era esperado que o número de crianças internadas aumentasse, porque a exposição dessas crianças aumentou. Mesmo que elas, proporcionalmente em relação aos adultos, compliquem menos, quando o número de infecções aumenta, a proporção [de casos com complicações] segue”, afirma o infectologista pediatra Robério Leite. 

RECUPERAÇÃO

Pétala Régis de Oliveira Vera, de 2 meses, teve de passar 13 dias internada devido a complicações no quadro de Covid-19. Depois de todos da família pegarem a doença ao mesmo tempo, no fim de fevereiro, Layza Régis de Oliveira (26), mãe da bebê, ficou aliviada com o teste negativo da filha. No entanto, dois dias após o resultado, Pétala começou a ter febre intensa e recorrente.

“Internaram ela justamente no dia que ela fez 30 dias. Ela era muito pequena e os médicos estavam entre duas coisas: covid e pneumonia. Porque deu alteração no sangue e no pulmão, como se tivesse um pouco de secreção”.

O resultado positivo do segundo exame confirmou as suspeitas de Covid-19. Após tratamento intenso, com fisioterapia pulmonar duas vezes ao dia, Pétala conseguiu superar a doença e a dificuldade de respirar apresentada durante a internação.

A ansiedade, de acordo com Layza, era ainda maior devido às complicações respiratórias que a bebê teve no parto. A mãe conta que Pétala inalou o mecônio durante o nascimento, o que corresponde às primeiras fezes da criança. Por isso, as primeiras horas de vida foram tensas, em observação e com ajuda de oxigenação externa.

“A gente sabe que a covid não é uma doença que melhora e fica tudo ok. Se eu tenho sequelas, então pra ela, que é um bebê tão pequenininho, que já nasceu com essa dificuldade, a gente ficou com muito medo de talvez ela não resistir”.

Apesar das dificuldades no parto e da Covid-19, não há sinais de sequelas em Pétala. “Tive muito medo. Então, quando a doutora falou que ela estava liberada, foi uma mistura de felicidade, alívio e gratidão. É inexplicável”, lembra Layza.

“Para a glória de Deus, deu tudo certo. Ela tá crescendo bem, tá gordinha”, conta. A observação de sintomas ainda é rotina na casa da família, mas tudo indica que Pétala teve a saúde restaurada.

SEQUELAS

“É uma doença nova, a gente ainda está aprendendo quais são as sequelas a longo prazo”, diz o infectologista. Apesar de que muitas sequelas possam ser tratadas, Robério explica que é necessário um acompanhamento após a doença. Por serem crianças muito novas, danos no pulmão e no coração causados pela Covid-19 correm o risco de prejudicarem o desenvolvimento de órgãos. 

INTERNAÇÕES EM FORTALEZA

Durante a pandemia, a Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac) registrou 9 casos de Covid-19 em bebês e todos foram recuperados. Nos hospitais da Unimed, apenas um bebê testou positivo. Já na rede Hapvida, uma criança encontra-se internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) infantil devido à doença. 

Na rede estadual, o Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC) registrou 12 internações de recém-nascidos na unidade chamada no Eixo Covid Neonatal, sendo 7 entre março a dezembro de 2020, e 5 entre . De janeiro a março de 2021, foram internados 5 recém-nascidos, também positivados para a doença.

O HGCC, de perfil terciário de alta complexidade, é referência para o cuidado obstétrico e neonatal a pacientes com Covid. São 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e 24 leitos para gestantes e puérperas suspeitas ou confirmadas para Covid-19. 

No Hospital Infantil Albert Sabin, foram registradas 18 crianças, de 0 a 1 ano, internadas com diagnóstico positivo para Covid-19, de março a dezembro de 2020. De janeiro a março de 2021, foram internadas 33 crianças, na mesma faixa etária, com diagnóstico positivo da doença.  O hospital mais que triplicou a oferta de leitos de UTIs pediátricas para Covid-19 em 2021.

Por ser hospital de referência e de assistência terciária, o Hias atende doenças graves e crianças que já têm comorbidades e maior risco de agravamento da doença. A unidade recebe pacientes pediátricos de todo o Ceará.  Todas as crianças diagnosticadas com Covid estão sendo devidamente assistidas e recebem tratamento adequado em ala isolada.

VACINAS PARA CRIANÇAS

As crianças ainda não estão incluídas nos grupos que devem receber as vacinas disponíveis atualmente contra a Covid-19. Isso ocorre porque estudos conclusivos sobre a eficácia dos imunizantes em pessoas menores de 18 anos ainda não foram divulgados. No entanto, o infectologista afirma que as pesquisas são promissoras, mostrando que a resposta imunológica que as vacinas têm causado nas crianças é robusta.

“A gente não acredita que tenha o controle da pandemia a longo prazo sem a inclusão das crianças na vacinação. Ainda que elas não representem o maior problema de saúde pública nesse momento do ponto de vista da infecção, das complicações, mas elas representam uma parte da transmissão, embora menos efetivamente que os adultos”, afirma.  

Fonte: Diário do Nordeste

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