![]() |
| 📸 Crédito: Arquivo/ChatGPT – F5 Cariri |
Primeiros dentes do bebê: e-book gratuito da USP explica cuidados e alerta sobre uso de âmbar
O nascimento dos primeiros dentes é uma fase cheia de descobertas, mas também costuma despertar muitas dúvidas em pais e cuidadores. Gengiva sensível, aumento da salivação, irritabilidade e mudanças no sono podem aparecer nesse período e, diante do desconforto, é natural procurar maneiras de ajudar o bebê.
Para orientar as famílias com informações acessíveis e baseadas em conhecimento científico, a Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP disponibilizou gratuitamente o e-book Objetos de Âmbar e o Nascimento dos Dentes. Além de explicar o que pode acontecer durante a erupção dos dentes de leite, a publicação apresenta cuidados seguros e chama atenção para os possíveis riscos associados a colares, pulseiras e tornozeleiras de âmbar.
Primeiros dentes: o que realmente acontece nessa fase?
Os dentes de leite costumam surgir entre aproximadamente 6 e 35 meses, embora o ritmo varie bastante de uma criança para outra. Isso significa que o primeiro dentinho pode aparecer mais cedo ou mais tarde sem que, isoladamente, isso represente um problema. Durante a erupção dentária, a gengiva pode ficar levemente inflamada e sensível, enquanto o bebê tende a colocar objetos na boca com maior frequência.
Também podem ocorrer aumento da salivação, coceira na região da gengiva, irritabilidade e alterações no padrão de sono. O ponto mais importante é observar a criança como um todo. Nem todo choro ou mudança de comportamento deve ser automaticamente atribuído aos primeiros dentes, especialmente quando existem sintomas mais intensos ou persistentes.
![]() |
| Capa e ilustração do e-book que aborda os objetos de âmbar usados para aliviar nascimento da dentição – Foto: Divulgação/FORP |
Nem todo sintoma é provocado pela dentição
Um dos alertas mais úteis do material da USP é justamente evitar que problemas de saúde sejam confundidos com manifestações normais da erupção dentária. Febre alta, diarreia frequente, apatia ou recusa persistente de líquidos e alimentos merecem atenção e podem indicar situações que não possuem relação direta com o nascimento dos dentes.
Na prática, vale observar duração, intensidade e mudança no comportamento habitual do bebê. Se a criança estiver muito abatida, apresentar sintomas importantes ou não demonstrar melhora, o mais seguro é buscar orientação de um pediatra ou odontopediatra. Essa diferenciação é importante porque atribuir tudo à dentição pode atrasar a identificação de outro problema que necessite de avaliação.
Como aliviar o desconforto dos primeiros dentes com mais segurança
Quando a gengiva está sensível, algumas medidas simples podem oferecer conforto sem recorrer imediatamente a medicamentos ou produtos vendidos com promessas de alívio rápido. Uma alternativa indicada no e-book é massagear delicadamente a gengiva com um dedo limpo. A pressão suave pode diminuir temporariamente a sensação incômoda provocada pela erupção.
Mordedores apropriados para bebês também podem ser utilizados. A preferência deve ser por produtos sólidos, resistentes e adequados à faixa etária, evitando modelos que tenham líquidos ou géis internos que possam vazar caso sejam danificados. Dependendo da idade e da fase alimentar, alimentos frios apropriados também podem ser considerados.
- 🦷 Massageie a gengiva com cuidado: lave bem as mãos antes do contato.
- 🧸 Escolha mordedores adequados: verifique a idade indicada, a integridade e o material do produto.
- 👶 Supervisione sempre: não deixe o bebê sozinho com objetos pequenos ou inadequados.
- ❄️ Observe a temperatura: itens excessivamente congelados podem ficar duros demais e causar desconforto.
- 🥣 Considere a fase alimentar: qualquer alimento oferecido precisa ser compatível com a idade e o desenvolvimento da criança.
Essas medidas não eliminam necessariamente todo o desconforto dos primeiros dentes, mas oferecem alternativas mais prudentes para tornar essa etapa mais tranquila.
Pomadas anestésicas merecem atenção especial
Outro ponto importante abordado na publicação é o uso de medicamentos. Quando o bebê está irritado, pode ser tentador recorrer a pomadas ou géis anestésicos encontrados em farmácias ou recomendados informalmente por outras pessoas. Entretanto, medicamentos não devem ser usados de maneira indiscriminada durante a dentição.
A orientação é conversar com um profissional antes de administrar qualquer substância para aliviar o desconforto. A idade da criança, composição do produto, quantidade utilizada e possíveis efeitos adversos precisam ser considerados. Uma indicação recebida de amigos, familiares ou conteúdos publicados nas redes sociais não substitui avaliação profissional individualizada.
Por que os acessórios de âmbar ficaram tão populares?
Colares, pulseiras e tornozeleiras de âmbar ganharam espaço entre famílias que procuram alternativas consideradas naturais para o desconforto provocado pelos primeiros dentes. O âmbar é uma resina fossilizada que contém ácido succínico, e uma das alegações mais difundidas é a de que o calor do corpo faria essa substância ser liberada e absorvida pela pele, proporcionando efeito analgésico ou anti-inflamatório.
Segundo os pesquisadores envolvidos no e-book da FORP, entretanto, não existe comprovação de que o acessório produza esse benefício da maneira divulgada. A temperatura corporal, próxima de 37 graus Celsius, não seria suficiente para promover a liberação do ácido succínico das contas como propõe essa explicação.
![]() |
| Alexandra Mussolino de Queiroz e Francisco Wanderley Garcia de Paula-Silva, professores da FORP que participaram do livro – Foto: Divulgação/FORP |
![]() |
| Kelly Fernanda Molena, pesquisadora, e Ana Luiza Valentim-Pires, estudante de graduação, que também são autoras do e-book – Foto: Divulgação/ FORP |
Colar de âmbar pode representar riscos para o bebê
A preocupação não está apenas na ausência de um benefício comprovado. Objetos utilizados ao redor do pescoço de bebês podem apresentar riscos mecânicos importantes. Um colar pode ficar preso à grade do berço, móveis, brinquedos ou outras estruturas e provocar estrangulamento.
Existe ainda o risco relacionado às pequenas contas. Caso o fio se rompa, essas peças podem chegar à boca e ser engolidas ou aspiradas. Pulseiras e tornozeleiras também exigem atenção por conterem componentes pequenos que podem se desprender.
Outro aspecto destacado pelos pesquisadores envolve a higiene. O contato frequente do acessório com saliva, suor, pele e superfícies do cotidiano pode favorecer o acúmulo de resíduos e micro-organismos. Por esses motivos, o uso do âmbar para aliviar a dentição não é recomendado no material educativo.
A falsa sensação de segurança também merece atenção
Existe um risco menos evidente: acreditar que determinado acessório está tratando os sintomas pode fazer com que pais e cuidadores deixem de observar outros sinais importantes. Se a criança estiver com febre alta, abatimento ou alterações persistentes, por exemplo, assumir que tudo é consequência dos primeiros dentes pode atrasar a procura por atendimento.
Uma abordagem mais segura é separar aquilo que normalmente acompanha a dentição dos sinais que fogem desse padrão. Observar o estado geral da criança e procurar assistência quando necessário costuma ser mais importante do que tentar eliminar rapidamente qualquer manifestação com produtos divulgados como soluções naturais.
O cuidado com a higiene começa desde o primeiro dentinho
O surgimento dos dentes também inaugura uma nova etapa nos cuidados com a saúde bucal infantil. A higiene precisa fazer parte da rotina desde cedo, seguindo recomendações adequadas à idade. Mais do que manter os dentes limpos, esse hábito ajuda a criança a se familiarizar gradualmente com a escovação.
Também é um bom momento para conversar com um odontopediatra sobre tipo de escova, creme dental, quantidade adequada e frequência da higiene. Esses cuidados devem ser individualizados conforme a idade e as características da criança. Embora sejam temporários, os dentes de leite cumprem funções importantes na mastigação, fala e desenvolvimento da boca.
E-book nasceu de dúvidas reais de pais e cuidadores
A publicação da FORP não surgiu apenas de uma discussão acadêmica. Ela é resultado de um trabalho desenvolvido com aproximadamente 100 pais e cuidadores de crianças de zero a quatro anos em diferentes locais de Ribeirão Preto. Os pesquisadores buscavam compreender o que essas famílias sabiam sobre acessórios de âmbar, por que decidiam utilizá-los e quanto conheciam sobre seus possíveis riscos.
O levantamento mostrou que muitas informações chegavam por amigos, familiares ou conteúdos encontrados na internet. Em diversos casos, a decisão de utilizar os acessórios ocorria sem uma conversa prévia com profissionais de saúde. Ao receberem informações mais detalhadas, algumas famílias afirmaram que desconheciam os riscos e que reconsiderariam o uso.
Informação científica em uma linguagem que as famílias entendem
Esse talvez seja um dos principais diferenciais do e-book: transformar conhecimento acadêmico em orientações que podem ser utilizadas no cotidiano. A proposta não é apenas dizer que determinado produto deve ser evitado, mas explicar o motivo, apresentar riscos e mostrar alternativas mais adequadas para lidar com o nascimento dos primeiros dentes.
O conteúdo reúne explicações sobre dentição, higiene bucal, alimentação, medicamentos, objetos de âmbar e situações nas quais uma avaliação profissional pode ser necessária. Por ser gratuito, também pode ser compartilhado com avós, familiares, babás e outras pessoas que participam diretamente dos cuidados da criança.
Ver publicação oficial no Jornal da USP
O que os pais podem levar deste conteúdo?
A dentição é uma etapa normal do desenvolvimento e não precisa ser cercada por soluções complicadas. Observar o bebê, utilizar medidas simples para oferecer conforto e evitar objetos com riscos desnecessários já são atitudes importantes. Quando surgir dúvida sobre sintomas, medicamentos ou higiene, buscar profissionais especializados continua sendo a escolha mais segura.
Também vale desconfiar de produtos que prometem efeitos terapêuticos sem apresentar evidências claras. Quando se trata de bebês, o fato de algo ser descrito como natural não significa automaticamente que seja seguro. Informação de qualidade ajuda a distinguir uma tradição popular de uma recomendação realmente adequada para a saúde infantil.
Perguntas frequentes sobre os primeiros dentes
Com quantos meses começam a nascer os primeiros dentes?
Existe variação entre as crianças, mas os dentes de leite costumam começar a aparecer por volta dos primeiros meses de vida e continuam surgindo durante os primeiros anos. O ritmo individual pode variar sem necessariamente indicar um problema.
É normal o bebê babar mais durante a dentição?
Sim. O aumento da salivação pode acontecer durante essa fase, assim como coceira gengival, leve irritação local e maior vontade de colocar objetos na boca.
Febre alta é causada pelo nascimento dos dentes?
Febre alta não deve ser automaticamente considerada consequência da dentição. Quando existem febre importante, diarreia frequente, apatia ou dificuldade persistente para beber e se alimentar, procure orientação profissional.
Posso colocar o mordedor no congelador?
O ideal é seguir as instruções do fabricante. Objetos extremamente congelados podem ficar rígidos demais. Mordedores apropriados e resfriados costumam ser uma alternativa mais adequada.
Colar de âmbar ajuda na dor dos primeiros dentes?
O material da FORP informa que não existe comprovação do benefício atribuído ao acessório e alerta para riscos como estrangulamento, ingestão ou aspiração das pequenas contas.
Pomada anestésica pode ser utilizada?
Medicamentos e produtos anestésicos não devem ser utilizados por conta própria. Converse com um pediatra ou odontopediatra antes de administrar qualquer produto para aliviar sintomas da dentição.
O e-book é realmente gratuito?
Sim. A publicação Objetos de Âmbar e o Nascimento dos Dentes, produzida por pesquisadores ligados à Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP, pode ser acessada gratuitamente pelo link disponibilizado acima.
Compartilhe sua experiência
Como foi o nascimento dos primeiros dentes do seu bebê? Você já conhecia os alertas sobre colares e outros objetos de âmbar? Qual estratégia ajudou sua família a lidar com essa fase? Compartilhe sua experiência nos comentários. A troca de informações, quando acompanhada de fontes confiáveis e orientação profissional, pode ajudar outras famílias que estão passando pelo mesmo momento.




0 Comentários