Frutas, hortaliças, leite: o que pode subir ainda mais com a alta na conta de energia

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Legenda: Frutas e hortaliças estão entre os produtos que vão ficar mais caros aos consumidores - Foto: Fabiane de Paula

Reajuste começou a vigorar na última sexta-feira (22)

O reajuste da conta de luz vai onerar dobrado o consumidor devido ao repasse da alta via cadeias produtivas do Ceará. A estimativa é que o aumento de 32,73% do custo energético para os produtores rurais comece a chegar à mesa da população cearense a partir de maio.  

Hortaliças, frutas, queijo, leite, camarões, carnes e outros que necessitam de sistema de irrigação durante o cultivo e de refrigeração para a conservação deverão sofrer as maiores alterações de preços.

O reajuste pressiona ainda mais o orçamento das famílias que já amargam a escalada da inflação dos alimentos por diversos fatores, como questões climáticas, valor dos combustíveis e a guerra da Rússia contra a Ucrânia.

O presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado (Faec), Amilcar Silveira, aponta que o percentual que chegará à ponta deverá ser integral e considera o reajuste “inaceitável”.

“Pode ser legal, mas é imoral. Infelizmente, essa conta terá de ser repassada ao consumidor final”, lamenta.

Atualmente, o Ceará possui 395 mil estabelecimentos rurais, segundo a entidade. 

"Aguardamos a estação chuvosa durante muito tempo para melhorar o setor e produzir mais, principalmente, porque, no segundo semestre, utilizamos a irrigação. Esse aumento impacta não apenas a produção de frutas e hortaliças, como a carcinicultura e a agropecuária", lista. 

O analista de mercado agrícola e da Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa), Odálio Girão, observa que a indústria rural sentirá o impacto logo no primeiro mês de novas tarifas, mas as elevações máximas estarão embutidas no preço final a partir das próximas colheitas, previstas para o fim de junho. 

“O consumidor terá o acúmulo de repasse de toda a cadeia. Quando é feita a colheita, os produtos vão para o mercado com preços já elevados. Os supermercados, que precisarão de câmaras frias para estocar alimentos, também repassam”, exemplifica. 

Ele enumera que deverão ser reajustadas as alfaces, cebolinha, coentro, repolho, frutas, leites, queijos, manteigas, entre outras folhagens e frios.

Odálio pondera, contudo, que, se houver condições climáticas favoráveis e boas safras, os grãos (milho, soja, arroz e feijão) irão equilibrar as majorações para as famílias. 

O presidente da Associação Cearense de Supermercados (Acesu), Antônio Nidovando Pereira Pinheiro, lembra que o segmento já foi onerado com o encarecimento logístico em razão dos combustíveis e a bandeira vermelha de energia, que caiu no início deste mês de abril.

“A gente fica muito preocupado. Sabemos que os consumidores já não aguentam mais pagar suas contas de luz mais alta e agora os produtos. Vamos fazer os cálculos, mas, com certeza, isso vai influenciar nos custos dos produtos, sabemos que é inevitável”, disse. 

“Deverão ter maiores reajustes os lácteos, massas, biscoitos e pães”, lista, acrescentando que todos os setores são prejudicados. 

Concessionária não presta serviço de qualidade, diz Faec

O presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amilcar Silveira, relata que 14.966 produtores tiveram contas cobradas indevidamente, em 2021, no Ceará. 

Segundo Amilcar, R$ 13 milhões foram ressarcidos, mas houve transtornos para reaver os valores. Para ele, a situação demonstra que os reajustes não refletem em investimentos para melhoria da prestação de serviço. 

Em entrevista coletiva realizada na semana passada, o diretor de Regulação da Enel Brasil, Luiz Gazulha, disse que no ano passado, a companhia investiu R$ 1 bilhão. "No último ano, a Enel investiu no Ceará mais de R$ 1 bilhão. Isso trouxe como benefício a melhoria dos nossos indicadores comerciais", acrescentou. 

Em nota, a Enel Distribuição informou que foi identificada uma inconsistência no processo de faturamento de clientes rurais que possuem atividades de consumo relacionadas à irrigação e aquicultura.

"A Enel Ceará ressalta que a inconsistência foi corrigida e que os créditos já foram disponibilizados no faturamento dos clientes para devolução. A distribuidora acrescenta que mantém uma postura transparente com seus clientes e que o tema foi devidamente esclarecido à agência reguladora e ao Conselho de Consumidores da empresa".

Setores econômicos articulam ações contra a Enel

O reajuste da Enel-Ceará é o maior do Brasil e começou a vigorar nesta sexta-feira (22), mas a distribuidora enfrenta fortes pressões setoriais por ser um serviço essencial. Os setores econômicos dependem da energia para os processos produtivos, representando uma despesa alta para as empresas.  

A Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) agendou uma reunião para a próxima quinta-feira (28) com o Ministério Público para pedir auxílio para cobrar ações contra o reajuste. 

Associação Cearense de Supermercados (Acesu) também avalia com o setor jurídico e outras entidades como reverter o aumento. 

A Federação das Indústrias do Estado (Fiec) também publicou nota conjunta com demais setores econômicos, incluindo a Faec, para reivindicar "uma alternativa que reduza o impacto para o setor produtivo e a sociedade em geral".

De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as indústrias são as maiores consumidoras de energia do País, totalizando 35,58% do consumo total. Em seguida, estão as residências (30,23%), comércios (18,58%) e outros (15,61).

Escrito por Bruna Damasceno/Diário do Nordeste


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