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| Créditos Imagem Arquivo: (ECA) Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo) |
IA nas APAEs: workshop gratuito e on-line apresenta caminhos para um cuidado mais integrado
Como a inteligência artificial pode melhorar a organização dos atendimentos sem substituir o olhar dos profissionais? Essa será uma das principais questões debatidas no workshop Tecnologia que aproxima, cuidado que transforma, marcado para 24 de agosto de 2026. O encontro será gratuito e on-line e reunirá profissionais, gestores, familiares, estudantes e pessoas interessadas em tecnologia assistiva, neurodiversidade e inclusão.
Promovida pela Braine, com apoio das APAEs e articulação acadêmica da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, a iniciativa pretende aproximar a pesquisa universitária dos desafios encontrados diariamente pelas instituições. Entre os assuntos estão teletriagem do autismo, integração de informações, acompanhamento multidisciplinar, privacidade, ética e uso responsável da inteligência artificial.
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O que será discutido no workshop gratuito e on-line
O workshop foi pensado para apresentar aplicações práticas da inteligência artificial no contexto das APAEs. Em vez de tratar a tecnologia como uma solução distante ou excessivamente técnica, o encontro mostrará como ferramentas digitais podem ajudar na porta de entrada do atendimento, na organização dos registros e na comunicação entre família, saúde, educação e assistência social. Também haverá espaço para discutir os limites da automação, a necessidade de supervisão profissional e os cuidados com informações pessoais. Não é necessário possuir conhecimento prévio sobre IA para acompanhar o conteúdo.
- 📅 Data: 24 de agosto de 2026
- ⏰ Horário: das 14h30 às 16h15, no horário de Brasília
- 💻 Formato: gratuito e on-line
- 📜 Certificado: disponível conforme os critérios de inscrição e participação
- 👥 Público: profissionais, gestores, estudantes, familiares, cuidadores e pessoas neurodivergentes
Por que a inteligência artificial pode ser útil para as APAEs
As APAEs alcançam mais de 1,6 milhão de pessoas no Brasil e desenvolvem atividades ligadas à saúde, educação, defesa de direitos e inclusão social. Em uma rede tão ampla, organizar dados e manter a continuidade do atendimento pode ser um desafio. A inteligência artificial pode apoiar tarefas como estruturar históricos, localizar informações importantes, acompanhar encaminhamentos e sinalizar registros que precisam ser avaliados. O benefício mais interessante não está em automatizar o cuidado, mas em reduzir trabalhos repetitivos para que as equipes tenham mais tempo para escuta, acolhimento e planejamento individualizado.
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| Gabriel Felipe Cotta Cirino – Foto: CV Lattes |
AURA-T apoia a identificação inicial de sinais do autismo
Uma das tecnologias que serão apresentadas é o AURA-T, ferramenta criada para apoiar a teletriagem de sinais relacionados ao Transtorno do Espectro Autista. O sistema organiza informações fornecidas durante o processo de triagem e produz dados que podem auxiliar a análise dos profissionais. Entretanto, o resultado não representa um diagnóstico e não deve ser interpretado isoladamente. A confirmação de qualquer condição exige avaliação de profissionais habilitados, análise clínica e consideração do desenvolvimento e da realidade de cada pessoa.
A teletriagem pode ser particularmente útil em cidades com poucos especialistas ou com longas filas de espera. Ela permite organizar a porta de entrada e priorizar situações que necessitam de atenção. Para que essa estratégia funcione, a instituição também precisa definir quem analisará os dados, como a família receberá a orientação e quais serviços estarão disponíveis para dar continuidade ao cuidado.
Cuidado integrado evita que informações importantes se percam
Famílias de pessoas neurodivergentes frequentemente precisam conversar com diferentes profissionais, escolas e serviços públicos. Quando cada setor mantém seus próprios registros, informações importantes podem ficar fragmentadas. Plataformas de cuidado integrado procuram conectar esses participantes em um ambiente mais organizado, no qual seja possível acompanhar objetivos, evolução, dificuldades e próximos passos. A CARE 360°, apresentada entre as soluções do ecossistema Braine, foi desenvolvida com essa finalidade.
Na prática, uma plataforma só produz resultados quando existe uma rotina clara de utilização. É necessário definir responsáveis pelos registros, frequência de atualização e níveis de acesso. Também é recomendável adotar uma linguagem compreensível para profissionais e familiares. Assim, o sistema deixa de ser apenas um arquivo digital e passa a funcionar como apoio para decisões multidisciplinares.
Tecnologia assistiva deve ampliar autonomia e oportunidades
Tecnologia assistiva não significa apenas equipamentos físicos. O conceito também envolve serviços e recursos digitais capazes de aumentar autonomia, segurança, comunicação e participação social. Uma ferramenta de IA pode, por exemplo, ajudar uma pessoa a organizar sua rotina, compreender orientações ou registrar necessidades para conversar com a equipe responsável. A Braine também desenvolve a Bruna, uma assistente de inteligência artificial voltada diretamente a pessoas neurodivergentes e que ainda se encontra em fase inicial de desenvolvimento.
O ponto central é observar se a solução responde a uma necessidade concreta. Antes de adotar qualquer recurso, a instituição deve ouvir pessoas atendidas, familiares e profissionais. Uma tecnologia aparentemente eficiente pode não ser acessível para todos ou pode criar novas barreiras quando depende de equipamentos, conexão ou habilidades que o público não possui.
Privacidade e segurança precisam acompanhar a inovação
Dados de saúde, relatos familiares e informações sobre desenvolvimento exigem proteção cuidadosa. Por isso, nenhuma instituição deve inserir documentos identificáveis em plataformas sem conhecer as regras de segurança, armazenamento e acesso. É importante verificar quais informações serão coletadas, por quanto tempo ficarão disponíveis e quem poderá consultá-las. Consentimento e transparência precisam fazer parte de todas as etapas.
Durante o workshop gratuito e on-line, os participantes também serão orientados a não compartilhar nomes, laudos ou dados clínicos identificáveis no chat da transmissão. Esse cuidado simples evita a exposição desnecessária. A inteligência artificial pode apoiar o atendimento, mas deve operar dentro de critérios éticos, com finalidade definida e acompanhamento humano.
Como aproveitar o conteúdo e aplicar na rotina da instituição
Antes do encontro, vale identificar um problema real enfrentado pela equipe. Pode ser a demora nos encaminhamentos, a dificuldade para localizar informações ou a falta de comunicação entre setores. Ao acompanhar o workshop, procure relacionar cada ferramenta apresentada a esse desafio específico. Isso ajuda a separar soluções úteis de recursos que ainda não combinam com a estrutura disponível.
- 🎯 Escolha um gargalo: identifique uma dificuldade concreta do atendimento.
- 📝 Prepare perguntas: anote dúvidas sobre implantação, custos, segurança e treinamento.
- ♿ Avalie a acessibilidade: observe se a solução pode ser usada pelo público atendido.
- 🚀 Comece pequeno: teste o recurso em um fluxo limitado antes de expandir.
- 📊 Defina indicadores: acompanhe o tempo de resposta, a qualidade dos registros e a satisfação das famílias.
- 👥 Mantenha supervisão: resultados gerados por IA devem ser revisados por pessoas capacitadas.
Uma experiência pessoal transformada em pesquisa aplicada
Gabriel Cirino, fundador e CEO da Braine, é mestre e doutorando em Ciência da Informação pela ECA-USP. Seu envolvimento com a neurodiversidade começou a partir da própria experiência com diagnósticos tardios de Transtorno de Ansiedade Generalizada e TDAH. Antes de compreender o que estava acontecendo, ele encontrou dificuldades para concluir a graduação em Publicidade e Propaganda. A experiência motivou uma pesquisa voltada à criação de soluções para problemas que também afetam outras pessoas.
Essa trajetória demonstra por que a aproximação entre universidade, tecnologia e instituições sociais é relevante. Quando pesquisadores conhecem os desafios reais das equipes e das famílias, as soluções deixam de ser construídas apenas com base em hipóteses. As APAEs, por sua vez, contribuem com conhecimento prático e ajudam a avaliar se as ferramentas realmente melhoram o atendimento.
Quem pode participar do evento
O encontro gratuito e on-line não é exclusivo para trabalhadores das APAEs. A participação está aberta a dirigentes, profissionais da saúde, psicólogos, neuropsicólogos, assistentes sociais, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, psicopedagogos, estudantes, familiares, cuidadores, pessoas com deficiência e pessoas neurodivergentes. Para receber as orientações de acesso e o certificado, o interessado deverá realizar a inscrição individual e informar um endereço de e-mail válido.
Garantir participação no workshop
Inteligência artificial com propósito e responsabilidade
O maior potencial da IA nas APAEs não está em substituir pessoas, mas em apoiar equipes que trabalham com demandas complexas e informações dispersas. Quando utilizada com transparência, segurança e objetivos bem definidos, a tecnologia pode facilitar a triagem, melhorar a comunicação e fortalecer a continuidade do cuidado. O workshop oferece uma oportunidade para conhecer essas possibilidades sem ignorar seus limites.
Você acredita que a teletriagem pode ampliar o acesso aos profissionais? Qual é a maior dificuldade para integrar saúde, educação, família e assistência social? Sua instituição já utiliza alguma ferramenta de inteligência artificial? Compartilhe sua opinião e experiência nos comentários.
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| Foto: Divulgação/Redes Sociais/inovacaonausp |
Perguntas frequentes sobre o workshop
O evento é realmente gratuito?
Sim. A inscrição e a participação são gratuitas, respeitando a disponibilidade de vagas definida pela organização.
Preciso trabalhar em uma APAE para participar?
Não. O encontro está aberto a profissionais, estudantes, familiares, cuidadores, pessoas neurodivergentes e demais interessados.
O AURA-T fornece diagnóstico de autismo?
Não. A ferramenta apoia a triagem e a organização de informações. O diagnóstico é responsabilidade de profissionais habilitados.
Preciso entender de inteligência artificial?
Não. O workshop foi planejado para apresentar os conceitos e as aplicações de maneira acessível.
Haverá certificado?
Sim. O certificado digital será disponibilizado conforme os critérios de inscrição e participação informados pela organização.
O workshop realizará avaliações individuais?
Não. O evento possui finalidade educativa e institucional. Não serão realizados diagnósticos ou avaliações clínicas durante a transmissão.



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