Associação pagou transporte para PMs irem a manifestações, diz relator da CPI; entidade nega ilegalidade

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Motim de policiais militares no Ceará em fevereiro de 2020. — Foto: José Leomar

Nesta terça-feira (5) foram ouvidos depoentes na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o possível envolvimento das associações militares com os motins de policiais em fevereiro de 2020.

O relator da CPI do motim de 2020 no Ceará, deputado Elmano de Freitas (PT), afirmou nesta terça-feira (5) que a Associação dos Profissionais de Segurança (APS) pagou transporte para que policiais militares fossem às manifestações que deram origem à paralisação dos policiais no Ceará. O presidente da entidade, o policial militar Cleyber Araújo confirmou que a associação custeou os transportes, mas negou ilegalidade. Nesta terça-feira (5) foram ouvidos depoentes na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os atos.

"O mais importante, ao meu ver hoje, é que o presidente da APS confirmou que a APS pagava transporte para que os policiais viessem às manifestações que deram nas greves e nos motins e, portanto, fica assumido por ele no entendimento dele de que será ilícito o testemunho de que não é", afirmou o relator.

Primeiro a ser ouvido na CPI desta terça-feira, o presidente da Associação de Profissionais da Segurança (APS), Cleyber Araújo, confirmou a locação dos ônibus, mas negou que fosse para que os associados fossem participar de um protesto.

"Não há nenhum de ilegalidade, de desordem pública. A associação a pedido dos seus associados contribuiu para que eles se deslocassem e pudesse vir até à Assembleia. Ali não foi um protesto, foi um encontro, havia uma pauta em discussão entrando em votação aqui na Assembleia, uma pauta de interesse da categoria referente a reestruturação salarial, então devido a isso a associação pagou alguns ônibus", disse.

Ainda durante a CPI, Elmano de Freitas afirmou que Cleyber realizou transações financeiras milionárias. Segundo o relator foram realizados cerca de R$ 2,3 milhões na boca do caixa ao longo de cinco anos. O presidente explicou que os valores sacados serviam para pagar parte das despesas de funcionários e equipamentos.

"Esses valores são para custear despesas operacionais, despesas médicas, alimentação, são mais de 37 colaboradores que se alimentam lá, tem hotel de trânsito, tem aquisição de equipamentos, parte (do uso) desse dinheiro era feito em espécie. (...) Saques para deixar à disposição do sistema administrativo-financeiro. Toda movimentação financeira consta em livro razão, já foi enviada essa documentação ao Ministério Público, à CPI", comentou.

Além do depoimento de Araújo, os deputados estaduais também devem ouvir o vereador de Fortaleza Sargento Reginauro (UB) nesta quarta-feira (6). O parlamentar presidia a APS na época do motim.

Instalação da CPI

Carros da polícia parados durante motim de 2020 — Foto: Fabiane de Paula/SVM

A CPI foi instalada em agosto do ano passado para investigar o envolvimento das entidades de policiais militares no motim da PM, em 2020.

O pedido para a criação da CPI foi protocolado em 19 de fevereiro de 2020 pelo deputado estadual Romeu Aldigueri (PDT), com a assinatura de 31 deputados. Na solicitação, o parlamentar afirma que associações ligadas a policiais e bombeiros militares teriam agido como "sindicatos" durante a paralisação de 2020, o que desrespeitaria a legislação militar em vigor.

A Comissão não realizou atividades ou deliberações durante o recesso parlamentar, entre dezembro e fevereiro. Na última sessão, em 2021, a CPI foi prorrogada por mais 120 dias, contando a partir de fevereiro deste ano, com o fim do recesso parlamentar.

A instalação da comissão ocorreu em meio a investigações do Ministério Público do Estado sobre a movimentação financeira de dirigentes das associações na paralisação. Ela investiga o destino dos recursos recebidos por essas entidades ligadas à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros.

Trabalhos

Ao longo dos quatro meses de trabalho, a CPI já aprovou mais de 30 requerimentos de informação e mais de 60 ofícios. Ao todo, seis entidades são investigadas pela comissão.

Segundo o relator da CPI, deputado estadual Elmano de Freitas (PT), o último pedido feito foi um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a movimentação financeira de alguns dirigentes e pessoas ligadas às entidades.

Por G1 CE

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