'Fórmulas para emagrecer não existem': entidades condenam shakes, chás e ervas indicados para isso.

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 Frasco do chá em cápsula "50 Ervas Emagrecedor" — Foto: Arquivo pessoal

Muitas substâncias ditas 'naturais' e vendidas na internet podem apresentar muitos riscos à saúde, levando até a óbito.

Não existe uma fórmula mágica para emagrecer. Muito pelo contrário. Shakes para emagrecimento, chás combinados e ervas podem até danificar o nosso organismo. É o que dizem especialistas e entidades ouvidos pelo g1.

Exames divulgados na segunda-feira (7) apontam que a cantora Paulinha Abelha teve o fígado lesionado por substâncias para emagrecer, para dormir, ficar alerta e ganhar definição muscular. Ela tinha 43 anos.

"O próprio nome 'fórmula' já remete a mistura de ingredientes e quando se mistura ingredientes, o risco de efeitos colaterais e contaminação é bem maior", alerta Clayton Macedo, médico endocrinologista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO).

"Não, e não se deve falar em fórmulas para emagrecer e sim em tratamento para obesidade - a pandemia deste milênio, conforme declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS), de uma doença crônica séria, grave e associada com várias comorbidades e redução da expectativa de vida", completa o endocrinologista Cesar Boguszewski, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

"Não existe uma fórmula específica emagrecedora para todos, mesmo porque não existe uma fórmula para hipertensão arterial, não existe uma fórmula específica para tratamento de diabetes", comenta o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Durval Ribas Filho.

Os riscos das substâncias 'naturais'

Muitas substâncias ditas "naturais" e vendidas na internet podem apresentar muitos riscos à saúde, levando até a óbito.

"Muitos produtos comercializados na internet podem conter outras substâncias na sua composição, além das listadas na propaganda, pois não há qualquer controle sobre sua produção, manipulação e comercialização, constituindo um sério problema de saúde pública e um grave risco para a saúde da população", alerta o presidente da SBEM.

Clayton Macedo, da Abeso, reforça que medicações que não são aprovadas pelas agências regulatórias não devem ser prescritas para emagrecimento, já que não há comprovação de eficácia. Ele também lembra que algumas fórmulas têm associação com laxantes, diuréticos e anfetaminas não aprovadas. "Sabemos que muitas ervas são tóxicas e podem causar diretamente lesão do fígado".

Drogas hepatótoxicas

A combinação de ervas pode levar uma hepatotoxicidade (dano no fígado causado por substâncias químicas), uma insuficiência hepática aguda, levando a transplante ou óbito. Além disso, essas ervas têm problemas com contaminantes, que podem lesionar o fígado.

"Várias ervas de uso rotineiro produzem lesões hepáticas, em virtude de ser o fígado o principal responsável pelo metabolismo e excreção destas substâncias", alerta a Sociedade Brasileira de Hepatologia.

Maria Isabel Schinoni, professora associada de Bioquímica Médica da Universidade Federal da Bahia e médica do serviço de gastro-hepatologia e do núcleo de Hepatologia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia, explica que diversas ervas podem atacar o nosso fígado. Ela cita algumas:

  • Chá verde (quando consumido em altas doses)
  • Garcinia cambogia
  • Erva cavalinha
  • Chá de tapete de Oxalá
  • Sena
  • Cáscara Sagrada
  • Valeriana
  • Espinheiro Santa
  • Composto 50 ervas

"Quanto mais compostos fitoterápicos ou medicamentos se ingerem juntos, mais possibilidade de lesar o fígado e outros órgãos, como o rim", explica Schinoni.

Ela conta que, em um estudo realizado no Brasil para investigar a causa da falência hepática aguda em 12 centros de transplantes de fígado, a hepatotoxicidade por drogas ou suplementos alimentares foi a causa principal de necessidade de transplantes.

Garcínea cambogia

Uma das substâncias que constava na lista de suplementação da cantora Paulinha Abelha era a garcínea cambogia. Assim como outros produtos, ela também é vendida como "remédio para emagrecer". No entanto, segundo o presidente da SBEM, não há qualquer evidência científica de sua eficácia na obesidade.

Segundo o professor e hepatologista Raymundo Paraná, essa droga deve ser evitada. "Sobre a garcínia, o que nós temos de fato, baseado em estudo clínico, é um alerta do NIH dos EUA que a garcínia pode causar agressão hepática e algumas vezes essa agressão pode ser grave".

Medicamentos indicados para perda de peso/obesidade

Atualmente há cinco medicamentos com registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e indicação em bula de tratamento da obesidade. Todos são de prescrição médica obrigatória, sendo dois controlados:

  • Orlistat
  • Cloridrato de Lorcasserina
  • Liraglutida
  • Cloridrato de Bupropiona + Cloridrato de Naltrexona (Controlado)
  • Sibutramina (Controlado)

"Estes são os únicos medicamentos aprovados para esta finalidade. Como são medicamentos, só podem ser vendidos em farmácias e drogarias e com prescrição por profissional habilitado. Qualquer outro produto anunciado ou comercializado com indicação terapêutica de emagrecimento, mas que não tenha registro na Anvisa, constitui produto clandestino", alerta a Anvisa.

Por Carolina Dantas e Mariana Garcia, g1

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