Os oráculos do Cariri que o Brasil não conhece por reparar tanto na Europa

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Legenda: Maria Raio-X era apenas um dos nossos oráculos do Cariri. São muitos.

No Cariri, Padre Cícero e Beata Maria de Araújo são apenas dois exemplos da fé que preenche nossos espaços e que nos revela até o futuro, para quem acredita, feito os que creem em Nostradamus e Baba Vanga.

Toda vez que começa uma guerra ou acontece uma catástrofe natural, tipo maremoto, nossos colegas jornalistas correm aos oráculos da Europa. A praxe era citar Nortradamus. Agora ele rivaliza com a senhora Baba Vanga. Ambos teriam previsto até a invasão do Leste (Rússia) sobre o Ocidente (resto da Europa).

Sendo do Cariri, eu não preciso buscar no eurocentrismo um sentido para o mundo. Quem foi Baba Vanga perto do poder do olhar de Maria Raio-X? 

A rezadeira tinha até endereço sagrado: morava na Rua de Todos Os Santos, em Juazeiro do Norte. E podemos comprovar que ela realmente existiu: cobri como repórter o dia em que foi presa por suposto exercício ilegal da medicina.

Diziam que dona Maria receitava omeprazol e outros medicamentos. Sempre negou. Eu nunca vi. Mas sei que o apelido veio de uma suposta capacidade médica: fazer um exame de imagem em que aparecesse à sua frente. Eu nunca me atrevi a tanto. 

Dona Maria Raio-X frequentou a mídia. Foi entrevistada no Globo Repórter. Fazia previsões pessoais e coletivas, estilo Baba Vanga. Só que agia para evitar catástrofe.

Este mesmo Diário do Nordeste mostrou quando ela foi a Fortaleza com a missão de acalmar o mar, que, segundo ela, viria enfurecido inundar a nossa Capital. Mas dona Maria estava lá e agiu. Inclusive foi uma das suas últimas contribuições neste mundo. 

Maria Raio X

Legenda: Maria Raio X disse ter conseguido, enfim, evitar que uma onda gigante invadisse Fortaleza em 2013 - Foto: Tuno Vieira

Maria Raio-X era apenas um dos nossos oráculos do Cariri. São muitos. No bairro São José, em Juazeiro do Norte, dona Francisquinha, sempre vestida na cor marrom, tira a inveja que o seu corpo carrega rezando com uma vela sobre a sua cabeça.

No Muriti, no Crato, a jovem rezadeira de nome Ana usa um molho de ervas para rezar em você e trazer previsões no amor e no trabalho. Se há encosto, ela sente, fica toda arrepiada e espanta a má companhia. Às vezes é preciso ir mais de uma vez visitá-la, mas espanta. É que há encosto pesado, verdadeiro carrego.

Lá na serra da Miguiriba, no platô da Chapada do Araripe, encontramos o Seu Chico das Kombi, assim mesmo sem o plural redudante. Seu Chico usa o cordão de São Francisco para medir o destino no tórax de quem o procura, invocando de São Francisco e também entidades da Umbanda, como o Caboclo Sete Flechas.

MARY X-RAY

No Cariri, Padre Cícero e Beata Maria de Araújo são apenas dois exemplos da fé que preenche nossos espaços e que nos revela até o futuro, para quem acredita, feito os que creem em Nostradamus e Baba Vanga.

Ao próprio Padim são atribuídas muitas premonições. Fui criado ouvindo a seguinte bordão: "o 'Pade Ciço' já dizia... e alguém completava a frase com uma previsão qualquer e já concretizada".

O principal exemplo era de que o Padim tinha previsto que sertão viraria mar. Seria a transposição do São Francisco? Não sei. Só sei que, no Cariri, não tem para Baba Vanga, não tem para Nostradamus.

Será que é uma questão de nome? Afinal, os oráculos europeus assustam só de serem pronunciados. Se dona Maria se chamasse Mary X-Ray teria moral entre os nossos compatriotas? E Father Cícero?

Eu tenho é pena da pouca fé de quem precisa ir à Europa buscar histórias sobrenaturais, com um Cariri imenso emanando energias dia e noite.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

Escrito por Paulo Henrique Rodrigues (o PH) Diário do Nordeste

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