Líder religioso que dopava e torturava mulheres no Bairro Mirandão em Crato não representa entidade, diz Federação Espírita

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Homem dopava as vítimas com remédios ministrados por ele, estuprava e, por vezes, as submetia a sessões de tortura com a desculpa de que retirava espíritos impuros. — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares

Vítimas relataram passar por banhos ditos medicinais em que o acusado praticava atos libidinosos. Uma das vítimas diz que teve uma arma apontada para a sua cabeça.

A Federação Espírita do Estado do Ceará afirmou na sexta-feira (10) que o falso líder religioso que torturava e estuprava mulheres no Ceará não representa a entidade. O ex-auxiliar de enfermagem Francisco José Alexandre de Souza foi preso durante a Operação Santo Nome em Vão na sexta-feira. Ele é suspeito de abusar de mulheres em uma falsa casa espírita na cidade do Crato, a 508 km de Fortaleza. As mulheres buscavam o local em busca de cura espiritual.

Durante a "Operação Santo Nome em Vão", a Polícia Civil apreendeu na residência e na falsa casa espírita materiais hospitalares, armas e munições. A delegada da Delegacia de Defesa da Mulher do Crato, Camila Brito, disse que ouviu o suspeito na sexta-feira que negou os abusos sexuais, mas confirmou que as torturas aconteciam para espantar os espíritos.

'Situações impressionantes e atrocidades'

O advogado João Paulo Peixoto, que representa as vítimas, comentou sobre os episódios em que as mulheres passaram.

“Eu acompanhei o depoimento delas e a entrevista que fiz com elas. São situações impressionantes, são atrocidades. A forma de tortura, a pressão psicológica, a ameaça. Até para a gente, que tem uma vivência, uma experiência, é algo que você não imagina nos dias de hoje”, disse o advogado.

A operação apurou que Francisco José Alexandre de Sousa prometia cura às mulheres que buscavam tratamento para alguma doença. O advogado de Francisco José disse que não ia se pronunciar por enquanto sobre o caso.

Segundo a Polícia Civil, Francisco José dopava as vítimas com remédios ministrados por ele, estuprava e, por vezes, as submetia a sessões de tortura com a desculpa que estava tirando espíritos impuros.

O advogado das mulheres informou que, agora, vai acompanhar o inquérito e a finalização dos depoimentos, e também fez um pedido a possíveis outras vítimas.

“Eu queria pedir a quem frequentava o centro espírita, você, vítima, venha e denuncie, porque a gente não está pensando apenas em você, mas em toda a sociedade. Pense em quantas pessoas você vai ajudar, evitando que mais pessoas sofram, principalmente mulheres”, solicitou João Paulo Peixoto.

Banho medicinal e ameaças

As vítimas também relataram passar por banhos ditos medicinais em que o acusado praticava atos libidinosos. Há também relatos de ameaças; uma das vítimas diz que teve uma arma apontada para a sua cabeça após o ex-auxiliar de enfermagem dizer que ela era sua "prometida" — fato que ele argumentava para várias mulheres alegando que sua esposa estava próximo de morrer.

Na casa do suspeito, no Bairro Mirandão, ele praticava rituais com velas, usando bebida alcoólica, tendo uma das denunciantes sofreu queimadura na mão. Os mandados foram cumpridos tanto na casa do denunciado como também na falsa Casa Espírita.

A "Operação Santo Nome em Vão" refere-se a um dos 10 mandamentos da Lei de Deus, sendo usado nessa operação em alusão ao acusado que usava o nome de Deus para praticar atos criminosos.

Por g1 CE

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