Criança com tumor raro recebe doação de medicamento de R$ 40 mil: 'Choramos tanto'

À esquerda Maria Hena e a mãe Marcela antes do crescimento do tumor. À direita Maria Helena com o tumor já avançado. — Foto: Arquivo pessoal

Maria Helena Marcelino Pereiro, de 1 anos e 1 mês, foi diagnosticada com fibrossarcoma infantil, um câncer do tecido fibroso raro que causou um tumor gigante no rosto.

A cearense Maria Marcelino Pereiro, de um ano e um mês, diagnosticada com um câncer do tecido fibroso raro, que precisa tomar dois frascos do medicamento Larotrectinibe, de R$ 40 mil cada, irá receber a medicação doada por uma farmacêutica para tratar o fibrossarcoma infantil que causou um tumor no rosto. (Veja acima vídeo de Maria Helena antes de completar um ano)

A mãe da criança, Marcela Lima da Silva, de 18 anos, que fez um apelo para conseguir compra o remédio da filha, foi informada pela médica do Centro Pediátrico do Câncer do Hospital Infantil Albert Sabin, na última sexta-feira (12), sobre a doação. O caso foi publicado no g1 na quinta-feira (11) e chamou atenção dos doadores.

"Eu e a doutora choramos tanto com a notícia do remédio. Agora o tratamento da Maria Helena vai para frente, e ela vai poder fazer a cirurgia", afirma Marcela.

Em nota, a farmacêutica Bayer, afirma que irá fornecer o medicamento Larotrectinibe nos três meses iniciais do tratamento de Maria Helena, com início imediato.

"A Bayer segue comprometida com o desenvolvimento de medicamentos inovadores e também com formas de facilitar o acesso a essas novas tecnologias. Por isso, após a publicação da matéria 'Criança com tumor no rosto precisa de remédio de R$ 40 mil, e mãe pede ajuda', a Bayer decidiu apoiar a pequena Maria Helena Marcelino Pereiro e sua família, fornecendo o medicamento larotrectinibe para a paciente", disse a farmacêutica, em nota.

Conforme a Bayer, o medicamento será fornecido nos três meses inicias do tratamento, "com início imediato, até que seja encontrada uma solução a longo prazo".

Internação

Maria Helena faz acompanhamento no Centro Pediátrico do Câncer do Hospital Infantil Albert Sabin; uma vez por semana ela viaja com a mãe de Maranguape para a Fortaleza para fazer sessões de quimioterapia. O traslado é feito em um veículo da prefeitura da cidade onde ela mora.

De quarta (10) a sábado (13) Maria Helena ficou internada na unidade para fazer sessões de quimioterapia.

Segundo Marcela, na próxima quinta-feira (18) será o retorno da filha na unidade e ela está na expectativa de ter informações do início do tratamento com a medicação doada.

Diagnóstico nos primeiros meses de vida

Marcela pede ajuda para consegui comprar o remédio da filha Maria Helena. — Foto: Arquivo pessoal

Marcela afirma que teve uma gravidez tranquila, sem complicações. Após nascer, a filha foi diagnosticada com um hemangioma, tumor vascular benigno causado por um crescimento anormal de vasos sanguíneos, que geralmente não causa danos.

"Ela ficou internada e com dois meses fez a cirurgia de retirada hemangioma, no [Hospital Infantil] Albert Sabin", relata a mãe.

Cinco meses após a primeira cirurgia, a criança voltou a apresentar um caroço na face, diagnosticado como o câncer. "Em maio começou a aparecer um carocinho no rosto e foi feita a biópsia, que constatou a doença", disse Marcela.

Distribuição rejeitada pelo SUS

Os medicamentos para a Assistência Oncológica no Sistema Único de Saúde (SUS) de média e alta complexidade não estão inseridos no grupo de financiamento dos Componentes da Assistência Farmacêutica.

Na última quinta-feira (11), a Bayer submeteu o Larotrectinibe para ser incorporado ao SUS, para ser disponibilizado gratuitamente para a população. Porém, a solicitação foi rejeitada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

"A incorporação dele no SUS representaria um grande avanço para pacientes oncológicos, pois esse tratamento inovador reflete um importante avanço no campo da Medicina de Precisão", afirma a farmacêutica.

Na proposta ao órgão colegiado, a Bayer solicitou a incorporação do Larotrectinibe para "tratamento de pacientes adultos e pediátricos com tumores sólidos localmente avançados ou metastáticos e que apresentam a fusão do gene NTRK". A recomendação final da Conitec foi de "não incorporação".

De acordo com a Bayer, o Larotrectinibe é o primeiro tratamento agnóstico aprovado no Brasil, o que significa que o tumor é classificado e tratado de acordo com uma característica molecular específica, não tendo como base apenas o tecido que deu origem ao câncer.

"Com isso, pode ser usado em mais de 20 tipos de tumores, incluindo o fibrossarcoma infantil, como é o caso da Maria Helena. Pode ser usado por pacientes adultos e pediátricos para o tratamento de tumores sólidos localmente avançados ou metastáticos que tenham fusão do gene NTRK", explica a farmacêutica.

Por Lena Sena, g1 CE

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