Fóssil de peixe de cerca de 110 milhões de anos é anunciado para venda em site norte-americano, denuncia paleontólogo do Ceará

Fóssil de peixe Tharrhias araripis, de mais de 100 milhões de anos, é comercializado em site. — Foto: Reprodução

Tharrhias araripes e outros fósseis da Bacia do Araripe estão sendo comercializados na internet.

Um fóssil de peixe com cerca de 110 milhões de anos, encontrado na Bacia do Araripe, no interior do Ceará, está anunciado para venda em um site norte-americano. O paleontólogo cearense Álamo Saraiva flagrou o anúncio da peça quando pesquisava informações sobre fósseis na internet.

"Procurando informações sobre fósseis na internet tive o desprazer de encontrar um site de venda de fósseis no qual se encontrava a oferta de um Tharrhias araripes, um peixe fóssil da fase mais marinha da Bacia do Araripe, com cerca de 110 milhões de anos", afirma Álamo, que também é curador do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens e pesquisador do Laboratório de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (URCA).

Ainda conforme o paleontólogo, além do fóssil Tharrhias araripes, outras espécimes da Bacia do Araripe também estavam sendo vendidas no mesmo site. Álamo pretende acionar o Ministério Público Federal (MPF), para tomar providências sobre a comercialização ilegal e pedir repatriação desses fósseis.

"Vejo que é um verdadeiro escárnio este tipo de coisa, já que toda a Europa tem conhecimento de que os fósseis da Bacia do Araripe não podem ser comercializados. Dessa forma, nós vamos pedir ao Ministério Público Federal que tome as devidas providências para a repatriação desse material”, disse Álamo.

No Brasil, fósseis são propriedades da União, enquanto a extração depende de autorização da Agência Nacional de Mineração. O g1 já relatou como funciona o contrabando para outros estados e países em uma série especial publicada em abril deste ano. Alguns espécimes chegam a ser vendidos por R$ 150 mil.

Importância histórica

A Bacia do Araripe se tornou um dos principais alvos do tráfico de fósseis no mundo, por causa da preservação do material. No local, podem ser encontrados diversas espécies de insetos, moluscos, grupos de plantas, peixes, anfíbios, tartarugas, lagartos, dinossauros, pterossauros, crocodilos, aves e pequenos mamíferos.

De acordo com o paleontólogo, o transporte destas peças para o exterior é antigo. Em 1800 já havia registros feitos pelo naturalista João da Silva Feijó, que foi ao Cariri a mando da Coroa Portuguesa para relatar a singularidade dos fósseis.

À época, enviou duas coleções ao rei de Portugal. Só a partir do último século, na década de 1940, que o material coletado começou a ser depositado no antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Porém, nos anos de 1960, Santana do Cariri tinha feiras livres de fósseis vendidos nas calçadas e praças, e enviados para São Paulo.

  • Fóssil devolvido ao Ceará

Cretapalpus vittari homenageia a cantora brasileira e viveu no Cariri cearense há 122 milhões de anos. — Foto: The Journal of Arachnology/Reprodução

O fóssil de uma aranha, cujo nome homenageia a cantora brasileira Pabllo Vittar, foi devolvido ao Ceará, após a universidade que a tinha em seu catálogo observar que ela saiu do Brasil por meio de tráfico internacional.

A aranha da espécie Cretapalpus vittari viveu na Chapada do Araripe, na região do Cariri cearense, há 122 milhões de anos. A peça é considerada pelos pesquisadores como o exemplar mais velho já registrado nas Américas.

Em junho, o Ministério Público Federal já investigava se o fóssil havia sido mais um alvo dos traficantes de fósseis que atuam na região da Chapada do Araripe há décadas.

O holótipo (peça única) da aranha saiu ilegalmente do Brasil e está em "excelente estado de conservação", segundo pesquisadores da Universidade de Kansas, nos Estados Unidos. Eles descreveram o fóssil e resolveram repatriá-lo após questionamentos de paleontólogos e do MPF.

A Cretapalpus vittari já foi entregue oficialmente ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens. A instituição promoverá, nesta quarta-feira (21) uma solenidade de recebimento, com outras 35 peças da coleção de fósseis de aranhas cearenses presentes na universidade americana.

Por g1 CE

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