Juazeiro do Norte encerra 1ª romaria híbrida desde o começo da pandemia

Celebração da "bênção do chapéu" encerra Romaria de Nossa Senhora das Dores em Juazeiro do Norte (foto: Rozelia Costa/Basílica)

Festividade em homenagem à Nossa Senhora das Dores teve celebrações abertas ao público, algo que não acontecia desde o início da crise sanitária.

Juazeiro do Norte encerrou, nesta quarta-feira, 15, a Romaria de Nossa Senhora das Dores, primeiro evento religioso aberto ao público desde o início da pandemia de Covid-19. A programação, que havia iniciado no dia 28 de agosto, foi realizada de forma híbrida, mesclando atividades presenciais e virtuais. A despedida aos devotos foi marcada pela tradicional bênção dos chapéus, na Basílica Santuário. Atendendo a um decreto de isolamento social do Município, a cerimônia foi limitada a 60% da capacidade de ocupação do espaço.

O romeiro Paulo da Silva, 40, era um dos presentes na celebração. Devoto da “Mãe das Dores” e do Padre Cícero desde a infância, ele viajou quase 2.000 km para acompanhar de perto a festa religiosa. “Moro em Mozarlândia, Goiás. Venho a Juazeiro todos os anos porque esse ritual de fé alimenta minha alma. Mesmo no ano passado, com a pandemia mais forte, eu vim, sozinho, para ver como estava o clima na cidade. Me deparei com ruas vazias. Fiquei de coração partido”, conta o devoto, que ainda revela qual foi sua prece na bênção dos chapéus: “O pedido a ela [Nossa Senhora das Dores] foi proteção para que a gente consiga vencer essa pandemia. Já choramos muitas mortes de irmãos romeiros. Temos esperança de que esse sofrimento vai acabar”, acrescentou.

Durante a celebração, o reitor da Basílica, padre Cícero José, lembrou das milhares de mortes causadas pela Covid-19. O sacerdote observou que, apesar dos efeitos devastadores da pandemia, o exercício da fé se tornou, desde o começo da crise sanitária, um importante ‘sopro’ de esperança para a expectativa por dias melhores. “As consequências da pandemia impossibilitaram os nossos encontros, e vários foram os romeiros afetados pela doença, mas uma coisa que nos animava era a esperança, a oração e a súplica que fazemos pelo fim dessa pandemia”, disse o padre.

Na última romaria da padroeira — pré-pandemia, em setembro de 2019 —, pelo menos 300 mil devotos haviam visitado a Terra do Padre Cícero para participar das festividades em homenagem à Nossa Senhora das Dores. Neste ano, a Secretaria de Turismo de Juazeiro do Norte (Setur) e a Diocese do Crato não divulgaram a estimativa de público.

Devido às restrições para evitar a propagação do novo coronavírus, a tradicional “procissão dos carros”, um dos momentos mais simbólicos e esperados da romaria, teve que ser cancelada pelo segundo ano consecutivo para evitar aglomerações. Para relembrar o ritual, a igreja promoveu um desfile com a imagem da padroeira em carro aberto pelas principais ruas do território paroquial, entre os bairros Centro e Socorro.

Toda a programação também foi transmitida pela TV Web Mãe das Dores, no YouTube, e nas redes sociais da Basílica. Desde o início das atividades, a Diocese do Crato havia recomendado que idosos e pessoas com comorbidades, mais vulneráveis aos efeitos da Covid-19, assistissem às celebrações por meio da internet para evitar exposição à doença. A orientação, no entanto, não manteve em casa os devotos que já esperavam há tempos a retomada das romarias. A tendência, nos próximos eventos religiosos, é que Juazeiro passe a receber um número ainda maior de peregrinos.

O calendário religioso da Terra do Padre Cícero conta com 12 romarias ao ano. As maiores são a Romaria das Candeias, em fevereiro, a que lembra a morte do fundador da cidade, em julho, a que homenageia a padroeira, em setembro, e a Romaria de Finados, em novembro. Antes da pandemia, a Setur estimava que em média dois milhões de romeiros participavam das festividades ao longo do ciclo anual.

Relembre a procissão dos carros de 2019, a última antes da pandemia:

Romaria de Finados

O secretário de Turismo e Romaria do município, padre Paulo César, informou que os romeiros não foram em grande quantidade para Juazeiro do Norte, como costumava acontecer antes da pandemia durante a Romaria de Nossa Senhora das Dores.

“Essa romaria semipresencial, a primeira que nós estamos experimentando depois dos índices de infecção [da Covid-19] terem caído bastante, foi positiva, pois se percebeu que as pessoas estavam usando máscara, mantendo o distanciamento social e que o romeiro não veio em peso para Juazeiro do Norte, estando ele consciente de que ainda não é o momento ideal para se viver uma grande romaria com responsabilidade”, explicou em entrevista à Rádio CBN Cariri.

A Romaria de Nossa Senhora das Dores também serviu como um indicativo para a Romaria de Finados, que acontece anualmente do dia 29 de outubro a 2 de novembro. “É preciso esperar 15 dias para se ter uma análise de infecção e estatística para saber se tivemos um índice de aumento ou não de infecção da Covid-19, para a partir dessa avaliação termos uma ideia se será possível ou não a Romaria de Finados”, disse ele.

Antes da pandemia, a Romaria de Finados reunia em média 900 mil pessoas em Juazeiro do Norte, podendo chegar a até um milhão de romeiros, pois eles vão se dividindo entre os dias e se concentrando exatamente no Dia de Finados para visita ao túmulo do Padre Cícero.

“Com relação à visita ao túmulo neste ano, a resposta só será dada após obtenção dos dados estatísticos epidemiológicos que estamos tendo junto com a Secretaria de Saúde do município a respeito da doença, para que as ações possam continuar sendo tomadas com responsabilidade e com cautela”, finaliza o secretário. (Autor Luciano Cesário/Colaborou Marília Serpa/Especial para O POVO)

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