Sargento réu na Justiça devido a motim na PMCE agora preside associação de praças no Cariri

Legenda: Em 2020, o motim durou quase duas semanas e interferiu para alavancar a violência no Estado - Foto: José Leomar

Uma CPI apura a suspeita das associações terem financiado o motim ocorrido no ano de 2020

Um dos 500 militares denunciados por participar do motim ocorrido no Ceará no ano de 2020 agora está na presidência da Associação dos Praças da Região do Cariri (Asprac), em Juazeiro do Norte. O 2º sargento da PMCE, Emerson Carlos Vieira de Araújo, atualmente réu na Justiça do Ceará, assumiu o cargo no último mês de julho referente ao quadriênio 2021 a 2025. Desde então, o fato vem repercutindo entre os associados.

Por decisão do juiz da Auditoria Militar do Estado do Ceará, o sargento está suspenso das funções públicas e proibido de frequentar qualquer aquartelamento de Polícia ou Bombeiros Militar. Nessa terça-feira (17), o PM chegou a solicitar revogação das medidas cautelares, mas o magistrado não apreciou o pedido e orientou que o réu ingressasse novamente com a solicitação a parte da ação principal, para não tumultuar o processo.

De acordo com a acusação, Emerson Carlos foi um do cabeças do motim no ano passado, na região do Cariri. Ele foi denunciado junto a outros nove PMs em março de 2021, são eles: tenente-coronel Fábio Lessandro Sena Lima, 1º tenente José Pereira da Silva Filho, 2º tenente João Francisco Feitosa, 1º sargento Narciso Gonçalves Monteiro, 1º sargento Cícero Ferreira, 1º sargento Luiz Carlos Dunda Gomes, cabo Cleber Fuji Gonçalves Araripe, soldado Paulo César Sousa Martins Filho e soldado Joelmir José da Silva.

Consta nos autos que em fevereiro de 2020 Emerson Carlos teria enviado áudios via Whatsapp aliciando policiais militares lotados em Juazeiro do Norte para aderirem ao motim e tomarem o quartel da 2ª "Emerson Carlos não só gravou os áudios mas juntamente com o 2º TEN PM RR João Francisco Feitosa, em unidade de desígnios, compareceu na sede da 2ªCIA/BPMA, ocasião em que indagaram ao oficial 1º TEN PM José Pereira da Silva Filho sobre a maneira de receber os colegas de farda naquela unidade militar, reportando-se a forma de reunir naquele estabelecimento a tropa de militares que tinha como finalidade a amotinação, sendo que o referido oficial apenas respondeu que ali era quartel de polícia e não lugar para ações daquele tipo, mas não deu voz de prisão ao policiais, líderes do movimento paredista naquela região do Cariri".

A reportagem entrou em contato com a advogada de defesa do 2º sargento, que optou por encaminhar a demanda à coordenação jurídica da Asprac. Até a publicação desta matéria, o jurídico da Associação não havia emitido posicionamento sobre o caso.

ASSOCIAÇÕES NA CPI

Na semana passada, a Assembleia Legislativa do Ceará instalou uma Comissão Parlamento de Inquérito (CPI) para apurar o financiamento de Associações de Policiais Militares no último motim dos agentes de segurança. A CPI vem após dados da Secretaria Estadual do Planejamento mostrarem que mais de R$ 120 milhões foram recebidos por 12 associações de policiais militares nos seis meses que antecederam o movimento.

Ainda no ano passado, o presidente da casa, Evandro Leitão, disse que havia indícios de que os recursos eram "alocados para fins eleitoreiros e de movimento paredista". Agora, os partidos com representação na Assembleia terão um prazo de até 120 dias para indicar os membros da CPI.

Fonte: Diário do Nordeste

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