Água da transposição do São Francisco volta a ser bombeada para Eixo Norte, mas não virá ao Ceará

Legenda: Apesar de todo o sistema de bombeamento voltar a operar, a água não será liberada para o trecho emergencial do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), como ocorreu no primeiro semestre deste ano - Foto: Honório Barbosa

O recurso hídrico não será liberado para o trecho emergencial do Cinturão das Águas até fevereiro de 2022

O sistema de bombeamento das águas do rio São Francisco para o Eixo Norte foi retomado depois de uma paralisação iniciada em maio passado para serviços de manutenção dos equipamentos. A Estação de Bombeamento 1 voltou a operar em ritmo normal e a transpor o recurso hídrico para a barragem de Jati, no Cariri cearense.

Apesar de todo o sistema de bombeamento voltar a operar, a água não será liberada para o trecho emergencial do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), como ocorreu no primeiro semestre deste ano.

O Ceará faz parte do Eixo Norte do Programa de Integração do Rio São Francisco (PISF). Entretanto, até fevereiro de 2022 o Estado não voltará a receber água.

“Nesse período não tem água para o CAC porque a água se perderia por evaporação, infiltração no leito do riacho Seco e do Rio Salgado”, justificou o gestor da Superintendência de Obras Hidráulicas do Ceará (Sohidra), Yuri Castro.

A ideia do governo do Ceará é manter a transferência de água do São Francisco somente no período chuvoso, quando “a calha do rio está úmida, com água da chuva e terá uma condução mais eficiente”, reforçou Castro. A SRH defende o período de fevereiro a junho.  

Após percorrer 53 km de canal no segmento emergencial do CAC, a água oriunda do São Francisco é liberada por meio de uma compota para o riacho Seco em Missão Velha e daí segue em direção ao rio Salgado e até a bacia do açude Castanhão. É preciso percorrer cerca de 300 km de leito natural. Foi o que ocorreu entre 1º de março e 20 de maio passados. Nesse período, o Ceará recebeu 35 milhões de metros cúbicos de água da transposição.

Legenda: Em toda extensão, o Cinturão das Águas do Ceará tem 145 km - Foto: Honório Barbosa

MANUTENÇÃO

De acordo com o MDR, as equipes de manutenção contratadas fizeram a substituição das válvulas das estações 2 e 3 com o objetivo de reforçar a distribuição de água na região do semiárido nordestino.

O secretário nacional de Segurança Hídrica do ministério, Sérgio da Costa, ressaltou a marca pioneira do serviço de manutenção no projeto, concluída nesta semana, “foi a primeira desde a sua implantação”.

Costa disse ainda que o “Eixo Norte vai ter em operação todos os conjuntos, motobombas, instalados e, até o final de agosto, as três estações de bombeamento estarão operando com duas linhas de motobomba, ou seja, a capacidade máxima instalada atualmente".

Segundo Iury Castro, o MDR vai operar neste segundo semestre para recarregar várias barragens que integram o projeto e testar canais e tubulações, em Pernambuco, Ceará e na Paraíba.

O MDR frisou que a expectativa é que “o Eixo Norte garanta segurança hídrica a 6,5 milhões de pessoas em 220 cidades da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, após conclusão de todo o projeto”.

CINTURÃO DAS ÁGUAS

Nesta quarta-feira (18), o superintendente da Sohidra visitou obras de construção do CAC nos lotes 3 e 4, no município de Crato. Em toda extensão, o CAC tem 145km.

Legenda: Nesta quarta-feira (18), o superintendente da Sohidra visitou obras de construção do CAC nos lotes 3 e 4, no município de Crato - Foto: Divulgação

Os lotes 3 e 4 totalizam 74 quilômetros de canais, túneis, elevatórias e sifões. “Estão com 98% dos serviços concluídos, faltando apenas acabamentos, retoques”, explicou Yuri Castro. O lote 3 está com 35% das obras realizadas e o lote 4, com apenas 12,5%.

“O CAC deve ser concluído em três anos, mas depende de liberação de recursos, do fluxo financeiro”, pontuou. O projeto tem orçamento global de R$ 2,1 bilhões e ainda faltam aporte de R$ 900 milhões.

O Objetivo do CAC é transferir água do Rio São Francisco para a nascente do rio Cariús, que fica em Nova Olinda e de lá o recurso hídrico vai seguir por leito natural até desembocar no rio Jaguaribe, em Jucás, e depois na bacia do açude Orós.

Por meio da válvula dispersora, o Orós irá liberar água para o Castanhão. “As bacias do Alto e Médio Jaguaribe serão atendidas no futuro”, disse o gestor Executivo da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Aderilo Alcântara.

Questionado sobre a quantidade de água do São Francisco a ser liberada para o Ceará após a conclusão do CAC e a construção do ramal de Lavras da Mangabeira para as a água da transposição, Yuri Castro disse apenas que “tudo isso vai ser estudado e definido”.

Escrito por Honório Barbosa/Diário do Nordeste

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