Taxa de ocupação dos leitos de UTI exclusivos para Covid-19 é o menor desde janeiro no Ceará

Legenda: Em Fortaleza, a taxa de ocupação da UTI é de 66,85% e, dos leitos de enfermaria, é de 46% - Foto: Thiago Gadelha

A ocupação das enfermarias também registrou queda e atingiu o melhor percentual desde 10 de janeiro deste ano

A taxa de ocupação dos leitos de UTI exclusivos para tratamento da Covid-19, no Ceará, atingiu o menor índice desde 14 de janeiro deste ano, quando a ocupação era de 66,19%. Atualmente, este percentual é de 67,29%. Os dados são do IntegraSus, plataforma oficial da Secretaria da Saúde (Sesa) do Estado.

O cenário dos leitos de enfermaria é ainda melhor. A taxa de ocupação, até ontem, dia 30 de junho, estava em 39,63%, melhor índice desde 10 de janeiro (34,18%). Os números - referentes à UTI e enfermaria - de hoje (1º) ainda não foram atualizados pela Sesa.

A Região de Saúde do Sertão Central tem a menor ocupação de leitos de UTI, com 40%. Os de enfermaria atingiram 18,6%. Depois, vem a Região de Saúde de Fortaleza, com 66,8% de ocupação de UTI e 46% de enfermaria. 

Das 33 cidades com pelo menos um leito de enfermaria ou UTI, somente quatro estão com taxa acima dos 80%. Assaré, tem um leito de enfermaria e este está ocupado (100%). Barreira tem quatro leitos e os quatro ocupados (100%). Jardim tem 7 leitos, com todos ocupados (100%) e, Aurora, tem 6 dos 7 leitos ocupados (85,71%).

A cidade de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), zerou a ocupação do Hospital Dr. Argeu Gurgel Braga Herbster. O último paciente internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com Covid-19 recebeu alta na manhã desta quarta-feira (30). 

Ocupação dos leitos por Regiões da Saúde:

  • Cariri: 81,2% (UTI) e 35% (enfermaria)
  • Fortaleza: 66,8% (UTI) e 46% (enfermaria)
  • Sobral: 85,1% (UTI) e 41,8% (enfermaria)
  • Sertão Central: 40% (UTI) e 18,6% (enfermaria)
  • Litoral Leste/Jaguaribe: 70% (UTI) e 15% (enfermaria)

Para especialistas, a redução pode ser relacionada ao avanço da vacinação - que reduz as chances de pessoas infectadas manifestarem sintomas graves evoluir para hospitalização e óbito - e as medidas preventivas adotadas ao longo dos últimos meses, como isolamento social restritivo.

O médico epidemiologista e professor de Medicina da Universidade de Fortaleza, Antônio Lima, avalia que esse conjunto de fatores - medidas não farmacológicas e vacinação - resultou na "redução permanente das taxas de ocupação que teve início ainda em março, quando observamos uma tendência de queda nas infecções".

A infectologista Mônica Façanha concorda com Antônio Lima e acrescenta que a "a redução das aglomerações", advinda das medidas de isolamento rígido impostas por decreto estadual, tiveram suma importância para queda nas taxas de ocupação.

Ambos especialistas reconhecem a importância da redução das hospitalizações, mas alertam ser preciso manutenção dos cuidados para que a curva de queda seja efetivada.

"O período de férias nos causa alguma preocupação. Teremos aumento de circulação de pessoas de várias partes do País e, se os cuidados não forem mantidos, poderemos ter eventualmente um aumento nos casos"

ANTÔNIO LIMA

epidemiologista

A "tranquilidade" que os números sugerem só será efetiva quando a vacinação avançar, diz o médico Antônio Lima. "Precisamos alcançar pelo menos 75% da imunização completa [primeira e segunda doses] para nos sentirmos mais tranquilos quanto a pandemia".

Mônica Façanha complementa que, neste momento, ainda que ocorra redução nas hospitalizações, nos casos e mortes, e avanço da vacinação, é vital "que todos sigam usando máscaras, higienizando as mãos e mantendo o distanciamento social".

FILA DE PACIENTES

Apesar da redução na taxa de ocupação, 44 pessoas, em todo o Estado, ainda estão na fila por leitos. O número daqueles que aguardam regulação em UTI (10) é o mais baixo desde 9 de janeiro deste ano. À época, eram nove pacientes esperando por vagas na Unidade Intensiva e 26 aguardando vagas em enfermarias. Os dados são do IntegraSus. 

Hoje são 27 cidades com pessoas da fila de espera. Há quatro dias, eram 33 cidades. Os municípios com maior número de pacientes aguardando a regulação é Fortaleza (10) e Juazeiro do Norte (7) e Barbalha (3), estas duas últimas no Sul do Estado. 

CENÁRIO PANDÊMICO

Conforme a Secretaria da Saúde (Sesa) do Estado, 4.315.961 cearenses já foram imunizadas contra a Covid-19. Deste total, 1.097.612 foram destinadas à segunda dose (D2) da vacina. Em relação aos infectados, o Ceará já teve 887.774 pessoas contaminadas com o vírus SARS-Cov-2 e 22.627 pessoas perderam a vida por decorrência da doença. A taxa de letalidade é de 2,5. 

Escrito por André Costa/Diário do Nordeste

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