Perímetros irrigados têm vazão aumentada em 130% com águas do Castanhão

Legenda: Os projetos de irrigação Tabuleiro de Russas e Jaguaribe Apodi são os maiores do Ceará e surgiram com a expectativa da garantia do recurso hídrico a partir dos açudes Banabuiú e Castanhão

O aporte será um alívio para os pequenos e médios irrigantes dos projetos Tabuleiro de Russas e Jaguaribe-Apodi que têm expectativa de saírem da crise

Depois de cinco anos de queda de produção e até abandono da atividade em centenas de unidades produtivas por causa da escassez de água para irrigação de culturas permanentes – fruteiras, capineiras e grãos -, os pequenos e médios produtores rurais dos perímetros Tabuleiro de Russas e Jaguaribe Apodi retomam, ainda que de forma tímida, a atividade agropecuária.

O cenário torna-se favorável aos dois projetos de irrigação graças à liberação ampliada de água do açude Castanhão a partir desta semana. A vazão passou de 1,2 m³/s para 2,8 m³/s, em cada perímetro. Um aumento de 130%.  

Os projetos de irrigação Tabuleiro de Russas e Jaguaribe Apodi são os maiores do Ceará e surgiram com a expectativa da garantia do recurso hídrico a partir dos açudes Banabuiú e Castanhão. Mas veio a crise hídrica, um ciclo prolongado de seca a partir de 2012, e os dois reservatórios atingiram volume morto, transformando o sonho dos produtores rurais em pesadelo.

A escassez de água para irrigação afetou de forma severa a atividade agropecuária: mais de 50% das áreas de cultivo e os pivôs de irrigação ficaram abandonados. Os lotes que deveriam ser irrigados no segundo semestre de cada ano ficaram com a terra seca. Milhares de trabalhadores perderam o emprego no campo e a renda despencou para os produtores rurais.

O presidente da Companhia de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Cogerh), João Lúcio Farias, explicou que foi por causa da água oriunda da transposição do rio São Francisco para o Ceará no primeiro semestre deste ano que foi possível transferir maior volume de água para os projetos irrigados e para a região do Baixo Jaguaribe, apesar do reduzido aporte decorrente das chuvas. Atualmente, o Castanhão acumula 12,2% de sua capacidade.

“Recebemos 64 milhões de metros cúbicos de água da transposição e transferimos 54 metros cúbicos para a Região Metropolitana de Fortaleza e mantivemos 10 milhões no Castanhão, juntamente com água da chuva, para atender a demanda de abastecimento de cidades, localidades ribeirinhas e a produção agropecuária no vale do Baixo Jaguaribe”.

JOÃO LÚCIO FARIAS

Presidente da Companhia de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Cogerh)

Os volumes definidos para os três maiores reservatórios do Ceará: Castanhão, Orós e Banabuiú ocorreu em reunião remota de alocação das águas, no último dia 1º de julho, com representantes de seis comitês de bacias hidrográficas dos vales do Baixo, Médio e Alto Jaguaribe, Salgado, Banabuiú e da RMF.

Para João Lúcio Farias, o reconhecimento do baixo volume do Castanhão entre os participantes do evento favoreceu uma “decisão consensual, que permite preservar água no maior reservatório do Ceará para atender abastecimento e irrigação em áreas do Baixo Jaguaribe”.

PERÍMETROS  

O presidente do Distrito de Irrigação do Perímetro Tabuleiro de Russas (Distar) Aridiano Belck de Oliveira, comemorou a decisão coletiva e consensual. “Nos últimos anos a vazão estava muito ruim, mas agora mais do que dobramos e será suficiente para manter as culturas permanentes e até expandir algumas áreas”, pontuou. “Isso ocorre porque temos eficiência de irrigação”.

Até o momento, apenas 28% da área irrigável era atendida, mas agora será possível chegar a 50%, conforme estimativa do Distar, que tem 618 unidades produtivas de acerola, banana, coco, goiaba, mamão e áreas de cultivo de grãos.

Em 2020, a produção na área do Distar gerou renda bruta de R$ 43 milhões. Para este ano, a estimativa é de chegar a R$ 70 milhões.

O presidente da Federação das Associações do Perímetro Irrigado Jaguaribe Apodi (Fapija), Raimundo César dos Santos (Alemão), avaliou que ampliar a vazão de 1,2 m³/s para 2,8 m³/s para os projetos de irrigação foi “uma decisão positiva”.

Alemão comentou sobre a chegada de mais água para irrigação:

“Traz a esperança de que o quadro vai começar a melhorar e nos dá ânimo para continuar produzindo”.

O presidente da Fapija disse esperar que “em 2022 teremos um bom inverno e com mais água oriunda do São Francisco, o Castanhão terá maior volume, beneficiando as áreas irrigáveis com maior vazão”.

O projeto Jaguaribe-Apodi tem 2000 hectares de culturas permanentes e 800 hectares irrigados por pivôs para produção de milho e capineiras para silagem. “A nossa situação começa a melhorar”, comemorou.

VAZÕES DEFINIDAS

A vazões definidas valem para o segundo semestre deste ano e ficaram definidas da seguinte forma:

  • O açude Castanhão terá vazão média de 12 m³/s (3,931 m³/s para bombeamento do Eixão das Águas, e 8,069 m³/s para perenização do rio Jaguaribe);
  • Vazão média dos perímetros irrigados – Tabuleiro de Russas: 2,5 m³/s; e Jaguaribe Apodi, 2,5 m³/s; Mandacaru: 0,28 m³/s e 0,30 m³/s para o bombeamento reverso do Canal do Trabalhador.
  • Cada perímetro recebe ainda 300 litros por segundo para irrigação de áreas de pastagem (capineiras, milho e sorgo forrageiro).
  • O açude Orós terá vazão média de 3750 l/s; sendo 400 l/s para o distrito de Feiticeiro e 700 l/s para recarga do açude Lima Campos.
  • Açude Banabuiú: vazão média de 290 l/s, através de descargas controladas com a indicação de pulsos de vazões na ordem de 1,8 m³/s por 10 dias com intervalos de 60 dias.

Escrito por Honório Barbosa/Diário do Nordeste

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