Suspeito de matar namorada grávida no Ceará vai a júri popular por feminicídio e por provocar aborto

Estudante universitária foi assassinada e teve corpo carbonizado — Foto: Arquivo pessoal

Wando Cordeiro teria matado a então companheira por não concordar com a gravidez, conforme a denúncia. Maria Efigênia estava na sexta semana de gravidez.

A 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza decidiu levar a júri popular o ex-namorado da estudante de fisioterapia Maria Efigênia Soares, de 28 anos, morta em janeiro deste ano após o então companheiro não ter aceitado a gravidez da mulher.

Namorado é preso suspeito de matar estudante grávida, queimar corpo e simular sequestro no Ceará

O corpo de Efigênia foi encontrado carbonizado pelas autoridades policiais em 15 de janeiro de 2021. Além disso, o sequestro da mulher foi simulado pelo então namorado, que ainda pediu R$ 20 mil a família da vítima como resgate.

O suspeito do feminicídio é Wando Cordeiro de Vasconcelos, cuja sentença de pronúncia foi dada nesta quarta-feira (19) pela Justiça cearense. A denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE) aponta que ele matou a namorada por asfixia mecânica e logo após ateou fogo no corpo da vítima às margens da BR-116, em Chorozinho, na Região Metropolitana de Fortaleza.

"No que tange à autoria, há indícios suficientes que apontam, em tese, Wando Cordeiro de Vasconcelos como autor dos delitos, a destacar o relatório técnico sobre a trajetória do veículo do acusado registrada no Sistema SPIA-PRF", escreveu o juíza Valencia Maria Alves de Sousa Aquino na sentença de pronúncia.

Em função disso, a magistrada atendeu a denúncia apresentada pelo MPCE e, com a materialidade do crime, foi decidido que o acusado será submetido a júri popular pelos crimes de feminicídio por motivo torpe, mediante meio cruel, com recurso que dificultou a defesa da vítima.

Ele também foi pronunciado por provocar aborto sem consentimento da gestante, ao matá-la, e ocultar o seu cadáver. Com isso, a justiça manteve a sua prisão "para garantia da ordem pública, diante da gravidade do delito".

Crime premeditado

Wando Cordeiro Vasconcelos, de 35 anos, foi preso e confessou o crime. — Foto: SSPDS/ Divulgação

As apurações policiais indicaram que Maria Efigênia estava grávida de seis semanas de um filho do réu. "Ele marcou um encontro com ela. Nesse local eles tiveram relações sexuais. Esse crime foi premeditado, porque no banco traseiro do veículo já tinha um tapete e ele passou a asfixia-la. Matou, enrolou nesse tapete, colocou no banco traseiro, foi ao posto de gasolina, comprou cinco litros de combustível, levou essa moça às margens da BR-116, dispensou o corpo e ateou fogo", relatou o então delegado-geral da Polícia Civil à época do fato, Marcus Rattacaso.

Investigações da Polícia Civil apontam que Efigênia foi morta no Bairro José Walter e Wando trafegou cerca de 50 quilômetros com o corpo dela no carro. De acordo com Rattacaso, durante depoimento, o motorista negou para a polícia a motivação. Contudo, exames da vítima comprovaram a gravidez.

O delegado afirma que, inicialmente, o suspeito negou o crime e chegou a dizer para a polícia que esteve com a vítima no dia do desaparecimento e depois deixou ela em uma casa no Planalto Ayrton Senna, na capital.

'Ele deu uma de Deus', diz mãe da vítima

Segundo a mãe da vítima, Jaqueline Santana, a filha saiu da casa no dia de sua morte informando que iria a um supermercado e não foi mais vista. "Ela chegou da clínica onde fazia estágio, disse que ia para o mercantil. Ele (réu) mandou mensagem para o pai dela dizendo que ela tinha sido sequestrada", disse.

Conforme Jaqueline, a família não sabia do relacionamento da jovem com Wando. "Aconteceu que ela tava com esse relacionamento, aí, estava saindo com esse rapaz, que vinha várias vezes aqui e eu perguntava e ela dizia que era amigo. Ela engravidou e ele não queria, ele deu uma de Deus, foi lá e matou. Ele acha que pode ser maior que Deus e ninguém pode", afirma.

A família de Efigênia recebeu a notícia da morte da estudante de fisioterapia por meio do delegado da Divisão Anti-Sequestro do Ceará (DAS), que investigava o desaparecimento da universitária.

"Eu tava triste, mas, ao mesmo tempo, estava acreditando em Deus. Quando foi de tardezinha, entrando pela noite, o delegado me deu a notícia que o cara que tava com ela havia matado. Ele (suspeito) quis dizer que ela tava envolvida em coisa errada, ele quis induzir as pessoas a acreditarem que ela estava envolvida em coisa errada", relata a mãe da universitária.

Por G1 CE

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