Saiba quais são as duas únicas cidades cearenses que não tiveram morte por Covid-19 em 2021

Legenda: Granjeiro (foto) e Umari ficam no Sul do Estado, distantes apenas 95 km - Foto: Antônio Rodrigues

98,92% municípios cearenses tiveram pelo menos uma morte ao longo dos quatro primeiros meses deste ano.

Somente as cidades de Granjeiro e Umari, ambos no Sul do Estado, não registraram nenhum óbito por decorrência da Covid-19 em 2021. Os demais 182 municípios cearenses (98,92%) tiveram pelo menos uma morte ao longo dos quatro primeiros meses deste ano. Em todo o Ceará, foram 7.634 mortes neste ano. Fortaleza lidera com 3.326, seguida por Maracanaú (330) e Caucaia (316).

Os dados são da plataforma IntegraSus, da Secretaria da Saúde do Estado e foram confirmados pelas Secretarias da Saúde dos dois municípios. Há um mês, eram 4 cidades sem ocorrência de óbitos. 

Desde o início da pandemia, Granjeiro  - que tem pouco mais de 4.800 habitantes - registrou apenas duas mortes, ambas em setembro (dias 4 e 17). A cidade é a que possui o menor número de vítimas, seguida por Potengi (3), Guaramiranga (4) e Potiretama.

Granjeiro foi também o último município a registrar óbito, em 2020, pelo novo coronavírus. A secretária da Saúde, Cícera Aderilma Soares Fernandes, atribui a ausência de mortes às "políticas sanitárias ininterruptas" realizadas desde o ano passado. 

É difícil apontar um único responsável. Por trás deste número há um conjunto de fatores desempenhados e, claro, a participação fundamental da população. 

CÍCERA ADERILMA

Secretária da Saúde de Granjeiro

Dentre essas ações realizadas, Aderilma destaca o trabalho de conscientização realizado nas zonas urbanas e rurais, e a fiscalização no comércio de modo a evitar aglomerações.

"Temos carros de som que circulam as principais ruas da cidade e também nos distritos. Além disso, afixamos cartazes mostrando a importância de seguir as medidas de segurança. Avalio que a população compreendeu a gravidade do momento e isso tem nos ajudado bastante", relata.

Para os comerciantes foram distribuídos "termos de responsabilidade", em que todos tiveram que assinar se comprometendo a ofertar álcool em gel além de garantir o distanciamento dentro dos estabelecimentos. "O comércio é o local de maior risco de transmissão. Então focamos em controlar esse ambiente", acrescenta Aderilma.

Legenda: Umari tem hoje 309 casos confirmados da doença - Foto: Divulgação

Em Umari, cidade com cerca de 7.700 habitantes, a estratégia foi ampliar a testagem. O secretário Municipal da Saúde, Josué Barros, destaca que "ao conseguir identificar o paciente logo que ele é acometido pela doença, as chances do quadro evoluir, assim como as chances desses infectados repassarem o vírus, diminuem bastante".

Além da testagem, o Município instituiu uma espécie de "bloqueio familiar". "Assim que nossos profissionais recebem os testes e ele é positivo, orientamos o paciente a ficar em casas e também monitoramos seus familiares ou aqueles que tiveram contato direto a realizarem a quarentena.Tudo isso é monitorado pelos agentes de saúde", garante Josué.

Assim como acontece em Granjeiro, a cidade de Umari também apostou na fiscalização e conscientização. "Temos uma equipe multidisciplinar, com enfermeiros, técnicos e agentes de saúde, que orientam diariamente a população e ajudam a coibir as aglomerações", detalha Barros. Ainda segundo ele, nos últimos meses o Município não teve registros de aglomeração.

POPULAÇÃO REDUZIDA AJUDA A CONTER O VÍRUS 

Para Caroline Gurgel, virologista, epidemiologista e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), o fato de ambas as cidades terem poucos habitantes ajuda a conter a disseminação do vírus. "A conscientização e engajamento da população acaba sendo mais fácil. O fato de as pessoas se conhecerem gera mais empatia, o que leva um cuidado maior", considera.

A especialista alerta, no entanto, que mesmo diante de populações com menos de dez mil habitantes, as ações sanitárias continuam sendo essenciais. "O risco existe. Todos estamos vulneráveis,  Independentemente se é em uma grande metrópole ou em uma cidade pequena. Portanto, é primordial que as medidas sanitárias sejam seguidas", adverte. 

MÉDIA MÓVEL EM QUEDA

Além da ausência de óbitos, ambos os municípios registram queda na média móvel de novos casos confirmados. O pico da média, em Granjeiro, aconteceu em 19 de outubro do ano passado, quando a média móvel, segundo IntegraSus, chegou a 4,14. 

À época, o Município instituiu barreiras sanitárias com controle de entrada de veículos e reforçou as ações. Nas semanas seguintes a média começou a declinar. Neste ano, a cidade atingiu seu patamar (2,72) em 12 de fevereiro. Desde então, iniciou tendência de queda e, hoje, está em 0,34. 

Na cidade de Umari o cenário é semelhante. A maior média móvel (5,14) foi registrada no dia 6 de junho. Em seguida caiu e, neste ano o índice pouco oscilou, chegando ao seu maior patamar (2,28) no dia 5 da abril. No restante do ano, porém, a média tem se mantida abaixo de 1. Hoje, este índice é de 0,28. 

Casos confirmados:

  • Em Umari são 309 casos confirmados e 6 óbitos;
  • A cidade de Granjeiro tem 323 infectados e 2 mortes 

Legenda: Todos os leitos para Covid-19, no hospital de Granjeiro, estão disponíveis - Foto: Wandenberg Belem

LEITOS DISPONÍVEIS 

Com a queda nos casos, os únicos hospitais dos dois municípios estão atualmente com todos os leitos de enfermaria exclusivos para Covid-19 sem ocupação.

Em Granjeiro, são quatro vagas e, em Umari, duas.  "Isso nos dá um pouco mais de segurança. Vemos que em várias cidades há mais demanda que oferta e, aqui no nosso Município, acontece o oposto", avalia Cícea Aderilma. 

Apesar da sensação de "segurança", a secretária ressalta ser preciso manter o estado de alerta. "Há novas variantes e não sabemos como elas vão atuar no organismo das pessoas. Esta segunda onda foi mais letal, afetou pessoas mais novas, então, mesmo que os casos estejam baixos, temos que manter o alerta. Qualquer descuido pode ser perigoso, já que nosso Município é de pequeno porte".

Esse é o mesmo entendimento do secretário Josué Barros. Para ele, "a curva só vai permanecer em baixa caso ocorra a manutenção de todas as medidas de segurança e o engajamento da população". 

Escrito por André Costa/Diário do Nordeste

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