Massacre do Caldeirão em Crato completa 84 anos e vem aí novo livro sobre o episódio

Cruz do cemitério de Caldeirão e o que sobrou de sua muralha (Fotos: Mara Paula - Valdecy Alves)

A professora Maria Loureto de Lima está concluindo e promete publicar em breve mais uma obra sobre o Caldeirão do Beato José Lourenço.

Nesta terça-feira completa 84 anos do massacre no Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, cuja comunidade era liderada pelo Beato José Lourenço em terras cratenses que pertenciam ao Padre Cícero. Inclusive, o último dia 3 de maio foi consagrado à Santa Cruz do Deserto e o espaço onde aconteceu terminou revisitado na última sexta-feira. Foram momentos de releitura da chamada Chacina do Caldeirão que foi devastado e cujo solo absorveu bastante lágrimas e sangue.

Na época, a região do cariri se tornou palco de uma das maiores chacinas ocorridas no Brasil pondo fim a primeira comunidade agrícola organizada implantada no país. A professora Maria Loureto de Lima, que foi secretária da educação de Juazeiro, está concluindo e promete publicar em breve mais uma obra sobre o Caldeirão do Beato José Lourenço. Segundo ela, mais um amplo trabalho de pesquisa o qual, agora, narra sobre como viviam os remanescentes do Caldeirão após a morte do seu líder religioso.

Loureto era neta de um dos mortos no caso Severino Tavares e filha do remanescente Eleutério Tavares Lira, que morreu em julho de 1993. Segundo recorda, a irmandade dos Cavaleiros da Santa Cruz do Caldeirão do Beato José Lourenço, reverenciava a mesma como símbolo da penitência. Para ela, hoje resta a saudade e o aprendizado de uma construção comunitária sofrida e que sem dó nem piedade foi marcada por uma das maiores tragédias do Brasil.

A comunidade liderada por Zé Lourenço abalou os poderes constituídos e, de acordo com Loureto, culminou com a estupidez produzida por um regime vigente, alimentado de mesquinhez, desatino e ódio. A mesma se refere ao violento ataque aéreo de tropas militares do Governo do Ceará no dia 11 de maio de 1937 ao Sítio Caldeirão com centenas de mortes nas terras que eram do Padre Cícero. “Uma dor irreparável, uma solidão revestida de lembranças, marcadas pela traição covarde”, historiou.

Reportagem de Demontier Tenório/Agência Miséria

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