Homem se recusa a receber vacina contra Covid-19 de voluntária negra na Bahia

A estudante de enfermagem Thaís Carvalho, 30 anos, foi vítima de racismo em Ilhéus, no sul da Bahia. (Foto: Reprodução/TV Santa Cruz)

Prefeitura aguarda decisão da vítima de denunciar ou não o caso

Um choque. Esse foi o sentimento da estudante de enfermagem Thaís Carvalho, 30, ao ser vítima de racismo em Ilhéus, no sul da Bahia. Ela, que está no 5º semestre, se voluntariou para aplicar doses de vacina contra Covid-19 na cidade e foi surpreendida por um homem que se recusou a receber o imuzinante caso fosse aplicado por ela, "porque ela era negra".

Thaís trabalhava aplicando a segunda dose da CoronaVac no posto de vacinação do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Jardim Savoia, quando, já quase no fim do horário de vacinação, foi informada que tinha um idoso para vacinar.

Quando chegou à sala onde o homem estava, ele disse que não aceitaria que ela aplicasse o imunizante. "Quando o vi, perguntei se já estava tudo certo com a ficha e se ele queria se vacinar. Ele disse que já tinha feito a ficha, mas não queria ser vacinado naquele momento. Eu perguntei o porquê, e ele disse: 'por você não, você é negra", lembra.

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Como qualquer pessoa negra, a voluntária já se imaginou passando por esse tipo de situação várias vezes e também pensou como reagiria, mas, na hora, o choque foi tão grande que ela não conseguiu responder e apenas se retirou da sala. "Eu tinha colocado o isopor com o material no chão. Depois daquela resposta, eu só peguei o isopor e saí. Não consegui ter reação nenhuma, fiquei em estado de choque. Me senti extremamente impotente", conta.

A voluntária lembrou também a maneira como se sentiu no momento em que foi vítima e lamentou não ter reagido de outra maneira. "Na minha cabeça, eu achava que eu ia filmar a pessoa, fazer um barraco. Não sei descrever em palavras o sentimento daquele momento, me senti totalmente desrespeitada e envergonhada, como se estivesse nua em um ambiente público", diz Thaís, que só desabafou com os colegas sobre o ocorrido no fim do dia.

Thaís trabalha no setor administrativo da Secretaria de Desenvolvimento Social do município e ainda não prestou queixa.

"Sobre ir ou não à polícia, eu não tenho uma decisão tomada sobre isso. Várias pessoas me procuraram, prestaram solidariedade e me parabenizaram por não ter ficado calada, mas ainda não tenho opinião formada sobre isso até porque foi muita gente que passou por lá", explica.

Ao tomar conhecimento do ocorrido, a prefeitura de Ilhéus publicou uma nota de repúdio em relação ao racismo sofrido por Thaís. A gestão afirmou ainda que acompanha de perto a situação e aguarda a decisão da vítima de denunciar ou não o caso para apoiar as investigações.

do jornal Correio 24 horas para a Rede Nordeste


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