Governador do Ceará pede à Anvisa e Anac reforço nas medidas de controle sanitário para barrar variante indiana da Covid-19 no estado

Governador do Ceará pede reforço no controle sanitário do aeroporto de Fortaleza. — Foto: Divulgação

A Secretaria da Saúde do estado monitora na capital um caso suspeito da cepa originada na Índia.

O governador do Ceará, Camilo Santana, informou que foram enviados ofícios às agências nacionais de Aviação Civil (Anac) e Vigilância Sanitária (Anvisa) para reforçar as medidas de controle sanitário no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, com o objetivo de conter a propagação da variante indiana do coronavírus. O estado tem um caso suspeito desta cepa em observação.

"Enviei hoje ofícios aos presidentes da Anac, Juliano Alcântara Noman; e da Anvisa, Antônio Barra Torres, solicitando medidas para intensificar o controle sanitário no Aeroporto Internacional de Fortaleza, em virtude da variante indiana da Covid que foi identificada no país", publicou Camilo.

"Além disso, também pedi reforço no controle nos aeroportos que têm conexão com o Ceará, seja de origem ou destino. O Estado oferecerá toda estrutura de apoio necessária, durante o tempo que for preciso, para que esse controle sanitário seja realizado da forma mais eficiente possível", complementou o governador.

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou, na manhã da última sexta-feira (21), que monitora o isolamento de um paciente vindo da Índia e os exames laboratoriais após ter sido notificada pela (Anvisa) de que se tratava de um caso suspeito da variante indiana em Fortaleza. Um companheiro de viagem, que seguiu o mesmo trajeto, também está sendo monitorado, mas nenhum dos seus testes deu positivo.

Na segunda-feira (17), a Secretaria da Saúde emitiu uma lista com orientações a viajantes de 44 países onde circula a variante indiana do coronavírus. A pasta indica que os viajantes desses locais façam quarentena de 14 dias e realizem testes para identificar possivelmente a doença. A ideia é retardar a entrada da nova variante no estado.

Paciente monitorado em Fortaleza

O paciente monitorado sob suspeita de estar infectado com a variante indiana da Covid-19 tentou ir embora do Ceará no último dia 13 de maio, mas a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) impediu. Nesta sexta-feira (21), a Secretaria da Saúde do estado (Sesa) confirmou o monitoramento da variante.

A Anvisa explicou que, há oito dias, recebeu informações de que um tripulante indiano de 35 anos, que aguardava embarque no navio GRAND, com bandeira das Ilhas Marshall, em operação no Porto do Pecém, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), testou positivo para Covid-19. O homem, contudo, não apresentou sintomas da doença. Um companheiro de viagem dele também passou pelos testes, mas não foi constatada a presença do vírus.

O órgão federal revelou que impediu o ingresso do paciente na embarcação e notificou sobre a necessidade de permanecer em isolamento no hotel. A Agência também notificou o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Estado do Ceará (CIEVS-]CE) de forma a assegurar o monitoramento do caso e recomendou a realização de sequenciamento de genoma para identificação da cepa viral. Ainda não há certeza sobre a cepa que infectou o viajante.

Confirmação do caso no Ceará

Nesta quinta-feira (20), o Maranhão anunciou a identificação dos primeiros casos da variante indiana (B.1.617) no Brasil, após uma embarcação vinda da Ásia chegar em São Luís. Um dos pacientes está internado em um hospital privado do estado e, até o momento, o Ministério da Saúde não confirma se é, de fato, o primeiro caso registrado no país.

A nova variante é considerada uma Variante de Preocupação (VOC) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e está ligada ao colapso sanitário na Índia, com recorde de casos e óbitos pela Covid-19.

De acordo com a Sesa, a notificação da Anvisa foi recebida na última segunda-feira (17). O paciente em questão desembarcou em Fortaleza no dia 9 de maio e seguiu, conforme a pasta, "preventivamente em isolamento, permanecendo sem sintomas".

O homem tem 35 anos e trabalha em uma empresa marítima. Ele realizou testes antes de sair da Índia, os quais deram negativo. Quando chegou ao Ceará, por protocolos da empresa em que trabalha, realizou dois novos testes, que deram ambos positivos (nos dias 10 e 11 de maio). De acordo com a secretária executiva de Vigilância e Regulação da Sesa, Magda Almeida, o paciente está assintomático e isolado em um hotel de Fortaleza.

"Desde a chegada, ele permanece isolado em um hotel, que segue os protocolos rígidos de biossegurança. Após a notificação da Sesa pela Anvisa, a gente retornou ao hotel, fez um outro exame pelo Lacen (Laboratório Central do Estado), esse exame deu negativo", pontuou a secretária.

O exame negativo feito pelo Lacen foi reanalisado pela Fiocruz e, segundo Magda Almeida, a carga viral do paciente continua "muito baixa". "A gente entende que tem uma baixa probabilidade de contaminação, ainda mais seguindo os protocolos rígidos do hotel de biossegurança", disse a secretária. A previsão é que, até o fim da próxima semana, a Fiocruz finalize o sequenciamento genético e informe se o caso trata-se da variação asiática.

Companheiro de trabalho é monitorado

O paciente em questão veio acompanhado de um colega de empresa, que também realizou testagem nos dias 10 e 12 de maio, sendo negativo em ambos os dias. De acordo com a Secretaria, o segundo paciente também está sem sintomas e em isolamento, como sugere a pasta com pacientes vindos de países onde circula a variante indiana.

"A Sesa monitora o isolamento do paciente e acompanha as análises dos exames e laudos laboratoriais para rastreio de variante por meio de vigilância genômica", escreveu, em nota, a Secretaria.

Por G1 CE

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