Cariri tem taxa de ocupação de 97,8% de leitos de UTI Adulto para pacientes Covid-19

Neste sábado, o índice chegou a 100% nos leitos de UTI e de enfermaria, 79,8% -  Foto: José Leomar

Na macrorregião de Saúde do Cariri cearense, que engloba 45 municípios, a taxa de ocupação de leitos de UTI para adultos com Covid-19, neste domingo (23) é de 97,8% e de enfermaria chegou a 67,9%. Os dados são do IntegraSus da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa). Esses números são um pouco maiores em relação ao início deste mês que apresentou índice de lotação de 99,2% em UTIs e 71,2% em enfermarias.

Há 60 pessoas na fila por internação em UTI, na macrorregião do Cariri, segundo informações da presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Sayonara Moura Cidade. “Estamos vivendo uma situação bem grave e complexa e os indicadores não estão cedendo”, pontuou.

“Infelizmente, muitos não obedecem às medidas rígidas e as aglomerações favorecem a circulação do vírus”.

SAYONARA MOURA CIDADE

Presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems)

De um total de 158 leitos de UTI para adultos com Covid-19 na macrorregião de Saúde do Cariri só há três leitos disponíveis, no Hospital Regional do Cariri. Nas demais unidades em Barbalha, Brejo Santo, Crato, Icó e Iguatu a taxa de ocupação é de 100%.

O médico infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ivo Castelo Branco, lembra que há uma relação entre crescimento do número de casos, propagação maior do vírus, mais casos graves e mais mortes. “Daqui a uma semana vamos ver o aumento de casos por causa dos encontros no Dia das Mães e uma semana depois aumento de internação e de óbitos”, prevê. “É sempre assim quando há aglomerações em datas comemorativas e afrouxamento das medidas”.

O infectologista ainda prevê um cenário de dificuldades para os próximos seis meses. “Não vamos controlar de jeito nenhum sem um lockdown sério”.

LOCKDOWN

Mesmo sem aumento significativo de casos de Covid-19 e de óbitos no decorrer deste mês em relação a abril passado, o município de Granjeiro decidiu decretar lockdown que entrou em vigor no último dia 20 e prossegue até o próximo dia 4.  

“Adotamos isolamento social rígido e pedimos aos moradores que fiquem em casa, para evitar a contaminação, usar álcool gel e a máscara”, apelou a secretária de Saúde de Granjeiro, Aderilma Soares.

Legenda: Hospital Regional de Icó, que tem 100% dos leitos de UTI Adulto ocupados - Foto: Wandenberg Belém

O funcionamento das atividades essenciais ocorre das 8h às 17h, somente de segunda à sexta-feira. No fim de semana, tudo está fechado, exceto farmácia e vendas por delivery.

Na região, somente Granjeiro vivencia lockdown. Antes, Barbalha decretou medida rígida de isolamento no período de 12 a 21 deste mês. A cidade de Jardim, no Sul do Ceará, adotou ações semelhantes um pouco antes entre os dias 8 e 16 passados.

O município de Catarina foi outro que recorreu às medidas mais rígidas de isolamento no início deste mês e também só permitiu funcionamento de farmácias e supermercados para serviço de delivery e mandou fechar as portas dos demais estabelecimentos.

A prefeita de Icó, Laís Nunes, fez um apelo para que os moradores mantenham firmes as medidas preventivas e ameaçou decretar lockdown. “Todos os leitos de UTI estão ocupados e não quero ver ninguém morrendo por falta de assistência médica”, pontuou.

“Se não houve melhora no quadro atual, vamos decretar medidas duras, fechando tudo mesmo”.

LAÍS NUNES

Prefeita de Icó

EPIDEMIOLOGIA

A macrorregião do Cariri registra 117.677 casos de Covid-19 e 2317 óbitos desde o início da pandemia. No decorrer deste mês foram confirmados 8066 casos da doença e 223 óbitos.

No mês de abril passado, foram verificados 18.988 casos da doença e 352 óbitos. Ainda faltam oito dias para o atual mês terminar, mas os registros de abril são bem mais superiores.

A cidade de Iguatu está com todos os 30 leitos de UTI ocupados, em três hospitais locais. A taxa de ocupação de leitos de enfermaria para Covid-19 é de 86,4%. “As pessoas demoram mais tempo internadas e são mais jovens”, observou a diretora do Hospital Regional de Iguatu, Glícia Alencar.

Escrito por Honório Barbosa/Diário do Nordeste

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