Beata Maria de Araújo ganha foto ao lado de Padre Cícero nas repartições públicas de Juazeiro do Norte

Fotos da beata Maria de Araújo já começaram a ser colocadas em repartições públicas de Juazeiro do Norte (Foto: Divulgação / Ascom da prefeitura de Juazeiro do Norte)

A nova lei foi sancionada no final do mês passado. A produção da foto e dos quadros padronizados ficou a cargo da prefeitura e órgãos vinculados

Em Juazeiro do Norte, já está em vigor lei que torna obrigatório, no âmbito municipal, a presença de fotografia da beata Maria de Araújo nas repartições da administração pública da cidade. A lei, proposta pela vereadora Jacqueline Gouveia (Republicanos) neste ano, foi sancionada pelo prefeito Gledson Bezerra (Podemos) no último dia 20 de abril. Dois dias depois já constava em publicação no Diário Oficial do município.

Com a decisão favorável dos poderes Legislativo e Executivo, um quadro com a foto da beata deve estar fixado em todas as repartições públicas municipais, nas mesmas dimensões de quadros com a tradicional foto de Padre Cícero. A produção das imagens e dos quadros padronizados ficou a cargo da prefeitura e de órgãos vinculados. Por meio de assessoria de imprensa, a Secretaria de Cultura de Juazeiro do Norte informou que o processo de atualização já está em andamento.

A Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final da Câmara pontuou que o projeto tinha amparo na lei orgânica do município, no regimento interno da Casa e que não se vislumbra qualquer ilegalidade ou inconstitucionalidade; opinando favorável à aprovação da matéria.

No projeto de lei, a autora justificou que a beata foi uma das protagonistas do chamado milagre da hóstia, “evento mais importante que deu origem ao fundamento para a emancipação política de Juazeiro”. Gouveia destaca ainda que, por questões religiosas, a Igreja Católica não aceitou o milagre, praticando um silêncio imposto à história da beata. Deste modo, a nova lei seria um “ato de justiça que se faz a sua memória e importância”, tendo em vista que o povoado de Juazeiro passou a ser alvo de peregrinação.

Em resumo, o chamado milagre da hóstia teria ocorrido pela primeira vez em 1889. Segundo relatos da época, várias eucaristias administradas pelo Padre Cícero à beata teriam se transformado em sangue na boca da religiosa, que as limpou em panos brancos, posteriormente considerados relíquias religiosas. Na ocasião, Cícero julgou ser o próprio sangue de Cristo. O fenômeno teria acontecido ao menos 47 vezes e chamou a atenção de fiéis por todo o Brasil, tornando Juazeiro em um importante ponto de peregrinação de católicos no Nordeste.

A beata Maria de Araújo, nascida no dia 23 de maio de 1863, era filha de Antonio da Silva Araújo e Ana Josefa do Sacramento. Conforme descrição do escritor Manoel Diniz, ela "era mestiça, cabelos quase crespos que usava cortados baixinho, estatura média, franzina, olhos quase negros". De família pobre, teve infância sofrida e praticava o artesanato produzindo bonecas de panos. Ensinava este ofício a algumas meninas de sua idade. Também chegou a prestar serviços numa olaria, contando tijolos. Ela passou a vestir o hábito de beata em 1885, após ter participado de uma espécie de um retiro espiritual ministrado pelo padre Cícero.

Fonte: O Povo Online


 

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