Ceará tem 12 açudes sangrando, 18 acima de 90% da capacidade e 55 com volume inferior a 30%

Legenda: Desde o dia 1º deste mês, o Castanhão libera água para o sistema da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) - Foto: Honório Barbosa

No mesmo período de 2020, eram 30 reservatórios transbordando, mais do que o dobro do número atual

O nível médio dos 155 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) nesta quarta-feira (14) é de 26,7%. Há um ano, o índice era um pouco mais elevado, 29,0%. As precipitações na atual quadra chuvosa têm sido localizadas e não favorecem, de modo geral, a recarga dos açudes em todas as bacias hidráulicas.

Atualmente, o Ceará tem 12 açudes sangrando, 18 acima de 90% e 55 com volume inferior a 30%. Em igual período de 2020, eram 30 reservatórios transbordando, ou seja, mais do que o dobro do número atual.

Havia ainda outros 40 acima de 90% da capacidade e 54 com volume menor do que 30%. Os dados comparativos demonstram, portanto, que o acúmulo de reserva hídrica no ano passado era mais favorável.

SITUAÇÃO DOS AÇUDES

No Ceará, hoje, estão sangrando 12 açudes:

  • Acaraú-Mirim (Massapê)
  • Caldeirões (Saboeiro)
  • Germinal (Palmácia)
  • Barragem do Batalhão (Crateús)
  • Itaúna (Granja)
  • Jatobá (Ipueiras)
  • Tijuquinha (Baturité)
  • Angicos (Coreaú)
  • São Vicente (Santana do Acaraú)
  • Quandú (Itapipoca)
  • Tucunduba (Senador Sá)
  • São Pedro Timbaúba (Miraíma)

Outros 12 estão no chamado volume morto:

  • Barra Velha (Independência)
  • Castro (Itapiúna)
  • Cipoada (Morada Nova)
  • Joaquim Távora (Jaguaribe)
  • Monsenhor Tabosa (cidade homônima)
  • Pompeu Sobrinho (Choró)
  • Potiretama (cidade homônima)
  • Riacho da Serra (Alto Santo)
  • São Domingos (Caridade)
  • Sousa (Canindé)
  • Trapiá II (Pedra Branca)
  • Várzea do Boi (Tauá)

Há ainda quatro açudes secos, segundo a Cogerh:

  • Forquilha II (Tauá)
  • Madeiro (Pereiro)
  • Pirabibu (Quixeramobim)
  • Salão (Canindé)

PROJEÇÕES INDICAVAM MENOS CHUVAS

O titular da Secretaria de Recursos Hídricos, Francisco Teixeira, frisou que a situação atual era aguardada, tendo por base as previsões meteorológicas que indicavam maior probabilidade de ocorrência de chuvas dentro ou abaixo da média.

“Realmente, os aportes têm sido muito menores do que os do ano passado e, por conta disso, estamos tomando todas as precauções para garantir o abastecimento humano das cidades do Interior e da Região Metropolitana de Fortaleza a partir do monitoramento e avaliação dos aportes em cada açude”.

Desde o dia 1º deste mês, o Castanhão libera água para o sistema da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), o que deve durar até o fim de 2022 com o objetivo de assegurar o abastecimento da área que conta com cerca de 4,5 milhões de consumidores.

MAIORES RECARGAS

Nos últimos sete dias, os açudes que mais receberam aportes foram:

  • Castanhão (Alto Santo)
  • Orós (Oró)
  • Araras (Varjota)
  • Barragem do Batalhão (Crateús)
  • Taquara (Cariré)
  • Itaúna (Granja)
  • Angicos (Coreaú)
  • Riacho do Sangue (Solonópole)
  • Acaraú Mirim (Massapê)
  • Gameleira (Itapipoca)

Já nas últimas 24 horas, a Cogerh aponta que os reservatórios que mais receberam recarga devido às últimas chuvas foram:

  • Orós
  • Trussu
  • Riacho do Sangue
  • Araras
  • Angicos

Dos três maiores açudes do Ceará, o Orós, no Alto Jaguaribe, foi o que recebeu menor aporte de água (236 mil m³), mas é o que mantém maior volume acumulado, atualmente, 23,9%. Em 1º de janeiro, o reservatório estava com 20,8%.  

O Banabuiú acumulava, em 1º de janeiro passado, 8,5%, e atualmente está com o mesmo volume, ou seja, durante o período, a recarga de 236 mil metros cúbicos perdeu-se por liberação e evaporação.

O açude Castanhão, o maior do Ceará, acumulava no início de janeiro passado, 11,1% de seu volume e atualmente está com 11,8%, embora tenha recebido a maior recarga neste ano (2,8 milhões de m³) dentre os reservatórios cearenses, graças à água da chuva na região do Cariri e à transferência do recurso hídrico do rio São Francisco.

Legenda: O Castanhão recebe desde o dia 1º de março as águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF)  - Foto: Honório Barbosa

O reduzido acréscimo de volume no Castanhão decorre da liberação de água para a Região Metropolitana de Fortaleza de aproximadamente 7 metros cúbicos por segundo.

Na bacia hidrográfica do Alto Jaguaribe, o açude Trussu, em Iguatu, obteve uma recarga de 4,6%, neste ano e, atualmente, está com 24,1%. Em 1º de janeiro passado, o reservatório, que é estratégico para o abastecimento das cidades de Iguatu e Acopiara, na região Centro-Sul cearense, acumulava 19,5%.

De acordo com o gerente regional da Cogerh, Anatarino Torres, o açude Trussu tem segurança hídrica para os próximos dois anos, mesmo se não houver recarga durante a próxima quadra chuvosa.

REDUÇÃO NOS APORTES

A partir de maio, último mês da quadra chuvosa, a tendência é de redução do volume dos aportes nos açudes cearenses, porquanto é esperada uma redução nos volumes de chuva.

Fevereiro, que é o primeiro mês da quadra chuvosa tem média histórica de 118,6 mm. Neste ano, choveu em média 125,8, um acréscimo de 6,1%.

Já março é o mês que se esperava mais chuva no Ceará – 203,4 mm, em média. Mas, neste ano, foram observados 188,2 mm, um desvio negativo de 7,5%.

Para abril, são esperados 188 mm em média e, até o momento, choveu apenas 54 mm. Já para maio, o índice histórico é bem reduzido, 90,6 mm, o menor da quadra chuvosa.  

Escrito por Honório Barbosa/Diário do Nordeste


 

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