Estádio Romeirão completa meio século prestes a se tornar "Arena"

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Romeirão passa por reforma e terá capacidade ampliada para 17 mil pessoas - Foto: Antonio Rodrigues
Inaugurado em 1º de maio de 1970, estádio passa por reforma que ampliará capacidade de 10 mil para 17 mil pessoas

Maior estádio do interior Ceará após a ampliação, que elevará capacidade de 10 mil para 17 mil pessoas, o Estádio Mauro Sampaio, o popular “Romeirão”, completa 50 anos de inauguração neste 1º de maio. Iniciada em setembro de 2019, a reforma promete transformá-lo em uma “Arena multiuso”. Com 20% de avanço físico, segundo a Superintendência de Obras Públicas (SOP), a reinauguração está prevista para a metade de 2021.  

Mesmo com a pandemia da covid-19, a obra continua, respeitando recomendações para evitar riscos de contaminação. A praça esportiva será modernizada, receberá um gramado totalmente novo, seguindo o padrão adotado pela Fifa.

Além da ampliação das arquibancadas, será implantada área de shopping, com museu do futebol, restaurante, lanchonetes, banheiros e estacionamento. O prédio também terá salas de administração e apoio, camarotes, cinco vestiários e cabines de imprensa. A chegada dos atletas ao estádio será por subsolo.  

Para preservar a memória do antigo estádio, parte da arquibancada do setor das cabines de imprensa será mantida, modernizada e ampliada. A disposição do espaço do campo de jogo ficará dois metros abaixo do que estava anteriormente para garantir a visão de todos os torcedores. Com este serviço, ainda serão melhoradas à estrutura do sistema de drenagem.   

HISTÓRIA
Inauguração do Romeirão, em 1º de maio de 1970 - Foto: Acervo Renato Casimiro e Daniel Walker
AINDA SEM TIMES PROFISSIONAIS EM JUAZEIRO DO NORTE - GUARANI E ICASA DISPUTAVAM TORNEIOS AMADORES - O ROMEIRÃO FOI INAUGURADO EM 1º DE MAIO DE 1970. INICIALMENTE, A CAPACIDADE FOI DE 30 MIL PESSOAS. A OBRA CUSTOU 800 MIL CRUZEIROS NOVOS, DOS QUAIS 100 MIL FORAM DADOS PELO GOVERNADOR PLÁCIDO ADERALDO CASTELO. ANTES DA CONSTRUÇÃO, OS JOGOS NA TERRA DO PADRE CÍCERO OCORRIAM NO CAMPO DE TERRA DA LIGA DESPORTIVA JUAZEIRENSE (LDJ), CONHECIDO COMO “ESTÁDIO DOS BANDEIRANTES”.

Em novembro de 1969, o jornal Gazeta de Notícias, de Fortaleza, noticiava a construção do estádio como “um grande salto no setor esportivo”. “Não resta dúvida de que a obra trará benefícios imediatos para os clubes esportivos, propiciando maiores arrecadações e dando condições ao desporto para sua sobrevivência”, assinava o repórter Wilton Bezerra, hoje comentarista da TV Diário e colunista do Diário do Nordeste.  

“Eu nunca gostei das coisas pequenas e quis construir, logo uma coisa grande. Essa foi uma das obras que levaram Juazeiro a crescer muito e assumir uma liderança na região, reconhecida por todos. O estádio foi construído para atender diversas atividades esportivas e sociais”, justificou o ex-prefeito Mauro Sampaio, falecido em 2015, que batiza o estádio, em entrevista em outubro de 2014.  

A partida inaugural aconteceu entre Cruzeiro e o Fortaleza para um público de mais de 20 mil pessoas. O confronto terminou com o placar de 3 a 0 para os mineiros. O atacante Evaldo marcou o primeiro gol do estádio. “(A inauguração) foi uma das coisas mais belas que já assisti em minha vida. O estádio ficou completamente lotado. Diziam que eu estava construindo um elefante branco. Não foi um elefante branco, nem sei de que cor foi. Eu sei que ele superlotou no seu primeiro jogo. Deu gente do Cariri inteiro para assistir”, descreveu Mauro Sampaio.
Wilton Bezerra entrevista Evaldo, autor do primeiro gol do Romeirão - Foto: arquivo / Wilton Bezerra
Com o Romeirão, as partidas dos campeonatos municipais puderam acontecer no período noturno, já que o estádio contava com iluminação artificial em seus quatro refletores. A primeira partida entre os grandes rivais de Juazeiro do Norte, Icasa e Guarani, aconteceu em junho daquele mesmo ano, com vitória do Leão do Mercado por 3 a 1.  

O maior artilheiro do Estádio Romeirão, com 72 gols, é o ex-atacante Geraldino Saravá, ídolo de Icasa e Fortaleza. Destes, o ex-atleta considera um gol mais marcante: contra o Guarani, chutando do meio campo. “Meu companheiro, Zé Geraldo, reclamou porque tinha chutado de tão longe. Eu virei para ele, irritado, dizendo: ‘Toda bola no gol é perigosa’. De repente, ele tava vibrando, me abraçado, que até me assustou. A bola entrou”, lembra descontraído.  

Reportagem de Antonio Rodrigues/Diário do Nordeste

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